Células-tronco e os dentes de leite

Sei que a célula-tronco pode ser essencial no tratamento de diversas doenças degenerativas. Fato é que eu não coletei as células-tronco do cordão umbilical dos meninos quando eles nasceram, simplesmente porque já estávamos lidando com tanta coisa que ainda considerar se coletava ou não e já começar a vida do bebê com esse custo fixo, me parecia um pouco incerto.

Aí, na última semana estive na Dezoito Kids para conhecer as últimas novidades de várias marcas para o Dia das Crianças, e lá tivemos uma palestra do Dr.  Nelson Tatsui, Diretor-Técnico do Grupo Criogênesis e Hematologista do HC-FMUSP. Ele explicou que o diferencial da células-tronco do dente de leite é que elas são do tipo mesenquimal. Estas células têm a capacidade de, em laboratório, se transformar em uma variedade de outras células destinadas a reparação de tecidos. Além disso, por serem muito jovens, multiplicam-se com mais velocidade. Seu potencial é tão grande que apenas um dente já é suficiente para que as células se estabeleçam em cultura.

Mas só o dente de leite tem as células tronco? Não! Também no evento, o Dr. Gabriel Politano, responsável pela área de células-tronco da polpa do dente de leite da Criogênesis, explicou que todos os dentes, incluindo os permanentes, tem a célula-tronco, PORÉM não são tão ricos porque as células que têm ali já são mais velhas ou já podem ter sofrido alguma interferência externa. Além disso, por se tratar de um processo natural, pois a queda do dente ocorre na maioria das crianças entre 5 e 12 anos de idade, o momento da coleta é indolor.

Sem Fada do dente

Apesar da Fada do dente ser um personagem comum no imaginário das crianças, a coleta do dente de leite deve ser feita por um dentista, isso porque as células-tronco são retiradas da polpa do dente – aquele pedacinho de carne que está grudado no dente. O material deve ser acondicionado em um kit específico de transporte e enviado imediatamente à clínica de armazenamento. Caso o dente venha a cair antes da consulta, é necessário que a família possua o kit de transporte. Ou seja: NÃO adianta guardar o dente em casa, numa latinha!

Mas e quanto custa essa “brincadeira”?

Não, você não tem que vender um rim para coletar um dente. Para realizar o procedimento, o custo é de cerca de R$ 2.000 pela coleta das células e uma anuidade que varia de R$ 300 a R$ 400 para a conservação delas. “Mas e se a clínica que eu coloquei fecha daqui 10 anos?”. Eles também explicaram que, por contrato, a clínica deve encaminhar para outra clínica, mas claro, é bom pesquisar bem antes de escolher uma.

Os interessados em informações sobre a extração do dente para a coleta de células-tronco podem se informar pelo e-mail gabriel@clinicapolitano.com.br ou pelo 0800 773 2166.

* Isso NÃO É JABÁ! É informação útil que vale ser compartilhada.

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Como é mesmo? Desculpe o transtorno? 

Nos últimos dias muito se falou sobre querer um amor assim ou assado. Se foi publi, se não foi publi. Se foi golpe, se não foi golpe. Se é Rafinha ou Duvivier. Também quero surfar essa onda porque há tempos quero escrever um texto sobre o amor tranquilo. 

Tenho amigas, já maduras, que começaram novos relacionamentos recentemente. “Ah, estou levando um dia de cada vez”, “Ah, é legal, mas não estou assim enlouquecida por ele sabe, estou tentando me acostumar”. “Ah, passei muito tempo sozinha, não sei se isso está me atrapalhando”. Pois vou te contar uma coisa: o amor só é enlouquecedor em música, filme ou quando não pode ser vivido. 

O amor de verdade, aquele que você vive, não te enlouquece, ele te acalma. No amor de verdade não há ciúmes incontrolável porque simplesmente não existe a possibilidade da pessoa não estar ali. O amor de verdade não é avassalador, é constante. 

Quando conheci meu marido, confesso que não senti uma paixão avassaladora de adolescente (até porque eu não era adolescente), mas fomos saindo, vivendo, deixando levar e quando percebi, não conseguia mais viver sem ele. Era divertido estar com ele. Era essencial. É essencial. Às vezes eu me sinto tão “nós” que penso “e se não for para sempre assim?” E então me acalmo pensando que não há amor pela metade. Só há amor inteiro. 

Quando você está há algum tempo com alguém, existem momentos incríveis e inesquecíveis e momentos normais. É preciso saber viver os momentos normais como o que são, momentos normais, e não crises. Um relacionamento não precisa ser feliz e incrível o tempo inteiro e nem tudo precisa ser discutido. Às vezes é só esperar passar. 

Em 7 anos de casamento é claro que já passamos por crises, mas quer um sinal que seu relacionamento não acabou? Vocês fazem mais coisas juntos que separados. Às vezes você não quer olhar na cara da pessoa mas estão ali, no aniversário da tia avó. Quando acaba, minha gente, não há evento familiar que mova, porque simplesmente não há interesse na vida do outro, e se não há interesse em estar junto, não há amor. 

No mais, chega uma hora que você já viveu grandes paixões, grandes tesões, grandes emoções e só quer, no fim do dia, alguém para ficar em silêncio assistindo novela com você. 

O que eu invejo em quem não tem filhos 

Já li textos de mães que diziam ter saudade dos tempos que não tinha filhos e podiam sair para onde quisessem na hora que quisessem e até ouvi gente perguntando se eu não tinha inveja de quem pode ir pra balada livre, leve e solto sem se preocupar com filhos. Sabe o que eu invejo de verdade? Quem sai do carro rápido. Tipo, cheguei junto com um vizinho meu e quando olhei ele já tinha subido, simplesmente saiu do carro e foi enquanto eu: tirava cadeirinha do carro, tirava o bebê do carro, montava o carrinho, pegava o mais velho, tirava ginásio de atividades, mochila do bebê, mochila do Guga, pacote novo de fraldas, juntava minhas maquiagens que caíram no chão nesse meio tempo, fechava o vidro que o Guga abriu, desligava o pisca que o Guga acendeu, pegava minha bolsa e casacos, casacos, casacos e mais casacos. Tipo: “Oi Antonia, o que você  fez hoje?” “Ah, hoje foi muito cansativo, tirei coisas do carro”.

Absolva a sua mãe – ela já tem culpas demais

Às vezes bate um desespero. “Nunca mais tive férias!”. “Nunca mais fiquei sozinha em casa!”. “Nunca fiquei 24h sem filho”. E parece que quanto mais você precisa de um respiro, MENOS respiro os seus filhos te dão. E você chega perto de um ataque nervoso mas se lembra que não pode surtar porque têm pessoas que precisam de você, e precisam de você inteira.

E aí você sofre. Pensa que seus filhos são amorosos e saudáveis, que sua vida é ótima, que as pessoas te ajudam e você não deveria se sentir assim. Sofre porque não pode estar inteira. Porque QUER estar inteira e não consegue. Pensa que vai fazer mais por eles. Que vai buscar ajuda profissional para ter mais paciência. Que não vai surtar. Que vai conseguir lidar. Que vai fazer a hora da brincadeira para estimular o bebê. Que vai deixar o bebê com alguém para conseguir sair sozinha com o mais velho. E então você acumula MAIS. Mais funções. Mais coisas. Mais sentimentos. E a bola de neve cresce, porque no fim do dia você não vai conseguir ser mais, oferecer mais – você já é o máximo que pode ser.

Veja bem, a cobrança da sociedade, a cobrança cultural, a cobrança do mundo para ser uma boa mãe existe e talvez faça tão mal justamente por ser totalmente desnecessária. Falo isso frequentemente: nasce uma mãe, nasce a culpa. Parece que a colocam dentro de nós no lugar da placenta. 

Eu não tenho como não romantizar o conceito de mãe para o meu bebê. Não tenho como convencer uma criança que a mãe é humana e cheia de falhas e contradições. Mas se você é adulto ou tem um mínimo de discernimento, absolva sua mãe das culpas. Ela já carrega muitas.

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Desmistificando a maternidade: O que uma mãe gostaria que quem não tem filhos soubesse

Julgar é sempre fácil. Mas hoje não quero falar sobre julgamento e sim sobre falta de noção. Não no sentido pejorativo (tipo, seu “sem noção”), mas sobre opinar sobre algo que desconhece. Claro que para quem não tem gatos é difícil entender certos comportamentos de gatos e seus donos. O mesmo para quem tem filhos e quem não tem filhos. Por isso, esse post é para esclarecer certas posturas que pais e mães têm que às vezes podem parecer estranhas para quem não tem filhos:


Amamentação é uma coisa complexa. Tirar leite demanda tempo e planejamento porque o leite que você está tirando o bebê deveria estar mamando. Isso acontece porque o leite é produzido de acordo com a demanda do bebê. No começo a mãe pode produzir leite demais ou de menos, mas com o tempo essa quantidade vai se ajustando. Então não é fácil fazer um “estoque” de leite quando você bem entender. Caso a mãe tenha bastante leite, PULAR mamadas também é complexo. O leite endurece, empedra ou vaza, pode dar mastite e até febre na mãe (fora o incômodo que é algo que não desejo para ninguém). Não vou nem entrar na questão que alguns bebês (tipo meu segundo filho) simplesmente não se adaptam com mamadeiras ou que algumas mães optam por não utilizar bicos artificiais. Ou seja, da próxima vez que sua amiga não sair ou não puder ficar muitas horas fora porque tem que amamentar, não diga “Por que você não tirou o leite?”


Sair à noite é o terror de quase todo o pai e mãe de bebês e crianças porque também demanda planejamento. Vou contar a minha experiência. Minha mãe ajuda com o meu sobrinho, minha sogra mora no interior. Tenho dois filhos e sei que é complicado administrar os dois, principalmente na hora de dormir porque eles dormem em horários diferentes. Babá folguista cobra, não é barato e nem fácil achar alguém de confiança. Levar as crianças? De novo: é hora de dormir. E não, não sou a louca da rotina, mas não é fácil administrar crianças cansadas. Aí elas vão, voltam dormindo no carro e, pelo menos os meus, acordam em casa achando que é um novo dia. Por fim: eu trabalho e tenho dois filhos. Às 22h não há NADA melhor que a minha cama ou meu sofá.

“Não faziam nada disso” pode ser qualquer coisa: “Minha mãe fumava grávida”, “No meu tempo ninguém andava em cadeirinha de carro”, “No meu tempo não tinha nada disso e ninguém morreu”. Pois bem: morreu. Sorte que não foi você, mas se pais cuidam dos seus filhos baseados em estudos e recomendações médicas, quem é você para julgar, não é mesmo?


Ou isso é falta de educação. A criança está cansada ou não está se sentindo bem. Pode estar passando por uma das diversas fases de amadurecimento emocional. Se joga no chão, grita, esperneia. A mãe “ignora”, tem vontade de sumir. Toda criança faz manha, até as francesas e isso não tem NADA a ver com educação ou respeito, você só pegou alguém num mau momento, tipo, como se te pegassem naquele momento que você está se descabelando com a moça do telemarketing que já é a décima segunda que você fala e não resolve o seu problema.


De novo: é um momento. Compartilho uma história: uma vez, em uma viagem, eu observei uma família que estava no mesmo hotel que a gente. Fomos à mesma praia. Os pais brincaram com os meninos. Foram para o hotel, brincaram na piscina. O pai jogava os meninos para cima, a mãe aplaudia. Em dado momento, ao anoitecer, ela disse: “Meninos, agora vamos tomar banho para jantar”. “Ah mãe, eu não quero ir jantar!”. “Vamos filho, a gente leva o tablet e vocês assistem filme”. E naquele momento eu tive certeza que algum infeliz iria julgá-los por aquele momento do tablet. Não