O que eu invejo em quem não tem filhos 

Já li textos de mães que diziam ter saudade dos tempos que não tinha filhos e podiam sair para onde quisessem na hora que quisessem e até ouvi gente perguntando se eu não tinha inveja de quem pode ir pra balada livre, leve e solto sem se preocupar com filhos. Sabe o que eu invejo de verdade? Quem sai do carro rápido. Tipo, cheguei junto com um vizinho meu e quando olhei ele já tinha subido, simplesmente saiu do carro e foi enquanto eu: tirava cadeirinha do carro, tirava o bebê do carro, montava o carrinho, pegava o mais velho, tirava ginásio de atividades, mochila do bebê, mochila do Guga, pacote novo de fraldas, juntava minhas maquiagens que caíram no chão nesse meio tempo, fechava o vidro que o Guga abriu, desligava o pisca que o Guga acendeu, pegava minha bolsa e casacos, casacos, casacos e mais casacos. Tipo: “Oi Antonia, o que você  fez hoje?” “Ah, hoje foi muito cansativo, tirei coisas do carro”.

Absolva a sua mãe – ela já tem culpas demais

Às vezes bate um desespero. “Nunca mais tive férias!”. “Nunca mais fiquei sozinha em casa!”. “Nunca fiquei 24h sem filho”. E parece que quanto mais você precisa de um respiro, MENOS respiro os seus filhos te dão. E você chega perto de um ataque nervoso mas se lembra que não pode surtar porque têm pessoas que precisam de você, e precisam de você inteira.

E aí você sofre. Pensa que seus filhos são amorosos e saudáveis, que sua vida é ótima, que as pessoas te ajudam e você não deveria se sentir assim. Sofre porque não pode estar inteira. Porque QUER estar inteira e não consegue. Pensa que vai fazer mais por eles. Que vai buscar ajuda profissional para ter mais paciência. Que não vai surtar. Que vai conseguir lidar. Que vai fazer a hora da brincadeira para estimular o bebê. Que vai deixar o bebê com alguém para conseguir sair sozinha com o mais velho. E então você acumula MAIS. Mais funções. Mais coisas. Mais sentimentos. E a bola de neve cresce, porque no fim do dia você não vai conseguir ser mais, oferecer mais – você já é o máximo que pode ser.

Veja bem, a cobrança da sociedade, a cobrança cultural, a cobrança do mundo para ser uma boa mãe existe e talvez faça tão mal justamente por ser totalmente desnecessária. Falo isso frequentemente: nasce uma mãe, nasce a culpa. Parece que a colocam dentro de nós no lugar da placenta. 

Eu não tenho como não romantizar o conceito de mãe para o meu bebê. Não tenho como convencer uma criança que a mãe é humana e cheia de falhas e contradições. Mas se você é adulto ou tem um mínimo de discernimento, absolva sua mãe das culpas. Ela já carrega muitas.

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Desmistificando a maternidade: O que uma mãe gostaria que quem não tem filhos soubesse

Julgar é sempre fácil. Mas hoje não quero falar sobre julgamento e sim sobre falta de noção. Não no sentido pejorativo (tipo, seu “sem noção”), mas sobre opinar sobre algo que desconhece. Claro que para quem não tem gatos é difícil entender certos comportamentos de gatos e seus donos. O mesmo para quem tem filhos e quem não tem filhos. Por isso, esse post é para esclarecer certas posturas que pais e mães têm que às vezes podem parecer estranhas para quem não tem filhos:


Amamentação é uma coisa complexa. Tirar leite demanda tempo e planejamento porque o leite que você está tirando o bebê deveria estar mamando. Isso acontece porque o leite é produzido de acordo com a demanda do bebê. No começo a mãe pode produzir leite demais ou de menos, mas com o tempo essa quantidade vai se ajustando. Então não é fácil fazer um “estoque” de leite quando você bem entender. Caso a mãe tenha bastante leite, PULAR mamadas também é complexo. O leite endurece, empedra ou vaza, pode dar mastite e até febre na mãe (fora o incômodo que é algo que não desejo para ninguém). Não vou nem entrar na questão que alguns bebês (tipo meu segundo filho) simplesmente não se adaptam com mamadeiras ou que algumas mães optam por não utilizar bicos artificiais. Ou seja, da próxima vez que sua amiga não sair ou não puder ficar muitas horas fora porque tem que amamentar, não diga “Por que você não tirou o leite?”


Sair à noite é o terror de quase todo o pai e mãe de bebês e crianças porque também demanda planejamento. Vou contar a minha experiência. Minha mãe ajuda com o meu sobrinho, minha sogra mora no interior. Tenho dois filhos e sei que é complicado administrar os dois, principalmente na hora de dormir porque eles dormem em horários diferentes. Babá folguista cobra, não é barato e nem fácil achar alguém de confiança. Levar as crianças? De novo: é hora de dormir. E não, não sou a louca da rotina, mas não é fácil administrar crianças cansadas. Aí elas vão, voltam dormindo no carro e, pelo menos os meus, acordam em casa achando que é um novo dia. Por fim: eu trabalho e tenho dois filhos. Às 22h não há NADA melhor que a minha cama ou meu sofá.

“Não faziam nada disso” pode ser qualquer coisa: “Minha mãe fumava grávida”, “No meu tempo ninguém andava em cadeirinha de carro”, “No meu tempo não tinha nada disso e ninguém morreu”. Pois bem: morreu. Sorte que não foi você, mas se pais cuidam dos seus filhos baseados em estudos e recomendações médicas, quem é você para julgar, não é mesmo?


Ou isso é falta de educação. A criança está cansada ou não está se sentindo bem. Pode estar passando por uma das diversas fases de amadurecimento emocional. Se joga no chão, grita, esperneia. A mãe “ignora”, tem vontade de sumir. Toda criança faz manha, até as francesas e isso não tem NADA a ver com educação ou respeito, você só pegou alguém num mau momento, tipo, como se te pegassem naquele momento que você está se descabelando com a moça do telemarketing que já é a décima segunda que você fala e não resolve o seu problema.


De novo: é um momento. Compartilho uma história: uma vez, em uma viagem, eu observei uma família que estava no mesmo hotel que a gente. Fomos à mesma praia. Os pais brincaram com os meninos. Foram para o hotel, brincaram na piscina. O pai jogava os meninos para cima, a mãe aplaudia. Em dado momento, ao anoitecer, ela disse: “Meninos, agora vamos tomar banho para jantar”. “Ah mãe, eu não quero ir jantar!”. “Vamos filho, a gente leva o tablet e vocês assistem filme”. E naquele momento eu tive certeza que algum infeliz iria julgá-los por aquele momento do tablet. Não

Estamos com medo dos nossos filhos?

Esse texto é um texto “cutucada” (não no mau sentido). É um post reflexão. Tomem como uma provocação sadia.

Eu tenho dois filhos. O fato de ter dois filhos não me impede de fazer (quase) nada… Claro que tenho “limitações”. Sair à noite sem eles é complicado, esticar de madrugada é pior ainda até porque sei que terei que encarar o dia seguinte como se nada tivesse acontecido. Mas, dentro das possibilidades, se eu posso fazer alguma coisa, eu faço.

Na última semana eu ouvi de muitas pessoas que me admiram porque eu consigo sair sozinha com os dois. Sempre escuto isso. Eu fico envaidecida, é claro, chego a pensar que sou realmente “guerreira” e tal. Daí penso na quantidade (ENORME!) de pessoas de várias gerações que têm dois filhos. Que tem três filhos. Quatro. SEIS!

Comecei a refletir se, baseados em tantas mil teorias, não estamos ficando com medo dos nossos filhos. Que teorias? Não pode bater. Não pode gritar. Não pode negociar. Não pode ameaçar deixar de castigo porque cria seres humanos inseguros. Deixar de castigo, nem pensar. Não pode barganhar senão sempre você vai ter que dar um presente se o seu filho se comportar bem. Não pode falar “não” mas também não pode falar “sim”. Não pode dar comida de fora. Não pode ficar sem almoçar ou sem jantar. Não pode tirar da rotina. Ou seja: realmente é complicado sair com alguém que depende das suas regras sendo que você não pode impor as regras. Fico pensando, se estamos com medo dos nossos filhos agora, que via de regra são seres humanos “maleáveis” e adaptáveis, o que vamos fazer quando eles de fato tiverem na fase do questionamento, da libertação? O que vamos fazer com essa geração adolescente? Sentar, ficar na altura do olhar, conter eles delicadamente pelos braços, falar em tom ameno e explicar por que não podem beber whisky com 15 anos? Sim. Ok. Mas só?

Mais que medo dos meus filhos, não tenho medo dos outros. Tô pouco me lixando se a mulher que eu nunca vi na vida vai me julgar porque meu filho está fazendo escândalo no mercado. Em outras palavras, quero que ela exploda. Também tô cagando se um senhor está buscando sossego na cafeteria dos shopping, domingo, 15h. Se ele estiver incomodado, posso dar o endereço de alguns “pesque-pague” para ele relaxar.

Via de regra, meus filhos adoram sair. Isso já facilita, porque eles são melhores na rua que em casa. Eu converso, falo onde vamos, falo o que vamos fazer e que eles têm que se comportar. Sempre levo biscoito de polvilho comigo. E lenço umedecido. Escolho as brigas que vou comprar quando estamos fora. O mais velho pediu um chocolate na padaria? Se isso vai me dar o tempo para tomar meu lanche e comprar o que preciso, ok, pegue o chocolate ainda que sejam 10 da manhã. Se para levar o mais velho na festinha eu tenho que dar “papinha pronta” para o bebê, então ok. Se eu vou atrasar o almoço porque estamos na rua, ok também. Se o bebê (meu mais novo era assim quando nasceu) chora no carro e eu estou dirigindo, paciência. Ele está ali preso na cadeirinha, está seguro, paciência.

Eu não acho certo bater ou ser uma histérica que grita a todo momento e também não gosto do conceito “mãe terrorista” que ameaça e estressa, mas acho que não dá pra ser politicamente correto com tudo. É a máxima que eu SEMPRE insisto: tem que fazer o que funciona para vocês e no fim do dia, se tudo der errado eu coloco os dois no carro e vou embora. Pronto. Afinal, ser mãe é lidar com o imprevisível a todo momento e isso inclui, de vez em quando, todos saírem da sua zona de conforto. Inclusive crianças e bebês.


 

A vida do bebê com refluxo

Bruno nasceu com refluxo. Nasceu. Como eu sei? Logo na primeira noite da maternidade eu tive que ir buscá-lo no bercário. Só escutava meu filho chorando. Ao colocá-lo na cama comigo, mais elevado, ele golfou e sossegou. Tinha que estar elevado MESMO, não adiantava deixar naquele carrinho da maternidade. Mas até então, eu não sabia disso.

A verdade é que todos os bebês nascem com refluxo, porque a válvula que “segura” o alimento ainda não está completamente formada e o sistema digestivo ainda é muito imaturo. O que eu não sabia, é que existiam TIPOS de refluxo. O refluxo fisiológico, é aquele normal, que acomete a maioria dos bebês. Nesse caso o bebê regurgita mas não sofre. Era o caso do meu primeiro filho. Ele regurgitava DEMAIS, mas não parecia incomodado com isso.

Tem o refluxo oculto é o mais difícil de detectar. Isso porque o bebê não chega a golfar, mas aquele vai e vem do suco gástrico causa queimação e, consequentemente, um bebê irritado. Nesse caso são necessários exames para diagnosticar o refluxo.

Por fim, tem o refluxo gastroesofágico. Os sinais de alerta são dor, irritabilidade, recusa de alimentos, regurgitação frequente, vômitos e um ganho de peso baixo. A falta de tratamento pode causar irritação no esôfago, anemia e complicações respiratórias.

O Bruno foi um recém-nascido irritado. Graças a Deus não tivemos problemas de peso, ele sempre foi grande e mamava independente do refluxo. E mamava rápido, o que não ajudava… Ele não dormia mas não ficava tranquilo. Quando dormia era porque desmaiava de cansaço. E então acordava aos berros, como se tivesse incomodado com alguma coisa. Golfava demais, grandes quantidades. O arroto era aquele que vinha “de dentro”, de um jeito que nós pensávamos “isso ardeu!”. Levei todo o cenário para a pediatra que, por sorte, viu o Bruno irritado dessa forma na consulta (porque é normal eles ficarem uns anjinhos durante as consultas e nós passarmos por loucas, né?) . Começamos o tratamento primeiro com um remédio para amenizar os sintomas e, como funcionou, depois começamos também com o remédio para tratar o refluxo propriamente dito.

Segundo minha pediatra, mais que o remédio é preciso uma mudança “postural”. E, apesar do trabalho que demanda, algumas medidas eram necessárias:

  • Manter o bebê sempre elevado. Berço elevado, trocador elevado. NUNCA totalmente deitado;
  • Manter o bebê em pé no colo por 20 a 30 minutos após a mamada (era sofrido fazer isso no meio da madrugada, mas me rendia algumas horas de sono);
  • Cuidado com o bebê conforto. Confesso que por noites a fio o Bruno dormia no bebê conforto dentro do berço. Porém, depois eu vi que a posição “esmagadinha” do bebê conforto piora a situação e faz o leite voltar ainda mais;
  • Eu tinha muito leite. Jorrava. É uma benção, eu sei, porém pode piorar a situação do bebê. Então o ideal é, se o peito estiver muito cheio, tirar um pouco do leite (manualmente) e então colocar o bebê para mamar ou dar 2x o mesmo peito em mamadas diferentes e quando for trocar tirar um pouco para o leite não sair com tanta pressão.
  • A posição da mamada também pode influenciar. Eu ficava quase deitada com ele em cima de mim, para o leite não sair tão fácil e ele mamar mais “devagar”;
  • Tente não fazer intervalos tão longos (3 horas). O ideal é que o bebê mame um pouco em vários momentos. Assim ele não fica com tanta fome e não se empanturra quando for mamar. Dependendo de quanto ele golfar por conta do refluxo, também é possível que ele sinta fome ou sede antes. Por isso, atenção.
  • Não sei dizer como funciona para quem dá complemento. Não tive que mudar nada na minha dieta pois não se trata de alergia ou intolerância, porém evito alimentos com muita lactose, iogurte, manteiga, requeijão… Consumia esses alimentos na versão SEM lactose.
  • Bruno não usa chupeta. A chupeta dava ânsia de vômito, fazia engolir mais saliva e piorava a sensação do refluxo.

Enfim, paciência. Bruno está com 7 meses e já há algum tempo melhorou do refluxo. É preciso cuidar e tratar para não virar uma doença crônica e não machucar o sistema digestivo já tão frágil dos nossos pequenos.

 

Bruno

Bruno, o bebê “elevado”