A saga da montagem do brinquedo

Olha, em tempos que debatemos o feminismo e tal, feliz dos pais de meninas que, via de regra, não terão que lidar com a cara*** de um brinquedo que imita POSTO. Auto posto. Aqua Posto. Posto e estacionamento. Postinho de gasolina. Posto.

A impressão que eu tenho é que o fabricante já manda faltando peças, que é pra você ficar que nem babaca procurando. Aí mandam 193029 adesivos pra você colar no brinquedo. Que custasse 50 reais a mais, mas que viesse com as cacetas dos adesivos colados. Ou, NO MÍNIMO, que viesse com um funcionário da fábrica que no momento que você abre já monta o negócio e aí você não tem que ouvir mil vezes do seu filho “Tá pronto? E agora, tá pronto?”. Ou ainda que fosse que nem loja de móveis, que você compra o produto e aí marca um dia para montagem.

Aí eles resumem as instruções, que deveriam ser tal qual uma tese de doutorado, com introdução e referência bibliográfica em 1 folha. UMA FOLHA. UMA. E o que sempre acontece? Essa folha some. Sempre. Mas também não faz diferença, porque você acaba tentando montar do jeito que tá na caixa já que você não entende lhufas daquela instrução.

Os brinquedos que imitam posto também poderiam ser definidos por tamanho, tipo, “Ocupa 1/4 da sua sala”, “Ocupa meia sala” ou “Mude-se já”.

Aí você fica 3 dias montando, colando selinho, tira o selinho porque ficou com bolha, coloca o selinho, e quando fica pronto o seu filho coloca o carrinho para deslizar na rampa, faz isso por 30 segundos e de duas uma: começa a rasgar os selinhos ou desmontar o brinquedo.

Fim.

(No próximo post: eu me arrependo de não ter cursado engenharia quando tento montar os brinquedinhos do Kinder Ovo).

Eu me preparando para montar o brinquedo do meu filho

Feliz Dia das Mães!

Esse post deveria ter subido ontem, mas subiu hoje e tudo bem, porque nós sabemos que Dia das Mães é todo dia!

Muitos de vocês, até os que não têm filhos, já devem ter escutado sobre a maternidade solitária. Ou sobre a maternidade julgadora, na rixa do “parto normal x cesárea”, “amamentação x formula”, “mães que dão doce antes dos dois anos e mães Bela Gil”. Mas hoje, eu queria falar sobre a maternidade que une.

A maternidade que une é aquela que faz você entender melhor sua mãe porque você é mãe. Une quando você se aproxima de pessoas que nem tinha tanta afinidade porque vocês estão no mesmo barco. Une quando sua amiga mãe pergunta mil vezes, com calma “o que você precisa?” quando te vê atrapalhada com o bebê. A maternidade que une quando uma estranha na padaria olha pra você constrangida porque o filho está chorando e você acena com a cabeça e diz só para que ela faça a leitura labial “eu sei como é, relaxa”, une quando um monte de mães desconhecidas te ajudam com seus trambolhos no elevador do shopping, une em desabafos de madrugada pelo WhatsApp, une quando você ignora que o filho de outra pessoa está fazendo birra em público. Une em oração quando o filho de uma, por mais que seja uma conhecida distante, está doente.

Feliz Dia das Mães para vocês, manas. Obrigada por me ajudarem a ser a mãe que eu sou!

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Eu mereço?

Esses dias eu fiquei nervosa. Muito desse nervoso tem a ver com a famigerada TPM. Comprei calmantes fitoterápicos, tipo Maracujina, para dar conta dos meninos sem engolir eles como um Bergen do filme Trolls. Não funcionou. Foi uma semana desgastante sem que nada de extraordinário estivesse acontecendo.

Ainda sob efeito da intensa semana, que inclusive começou com os meninos doentinhos e sem dormir direito, me peguei procurando ajuda profissional. “Vou logo pro psiquiatra, porque meu caso é de remédio”. Não tenho nada contra ajuda profissional, inclusive estava procurando uma. Mas então parei, e fiz o que sempre faço quando tenho esse intenso encontro comigo mesma: escrevi. Não esse post, escrevi aleatoriamente até chegar a uma conclusão.

Já escrevi e vivo lendo textos sobre como nós, mães, temos que nos absolver de culpas e neuras. Isso é bom, é um exercício de sanidade, mas e se dermos atenção para esses chamados de vez em quando? Talvez eu estivesse dando muita voz ao meu lado egoísta, querendo que meu bebê tivesse o ritmo do mais velho. Querendo que o mais velho, que não tem nem 4 anos, tivesse o ritmo de um adulto.

“Eu mereço” é uma premissa arriscada. Se você começa a utilizá-la frequentemente, você corre riscos de só merecer a si mesmo e mais ninguém.

“Agora não quero filho me incomodando, quero ficar em paz, eu mereço”.

E deixa os filhos cada vez mais de lado.

“Eu mereço”.

E um dia deixa pular o jantar porque eles estão bem e você está muito cansada, ou vai deixando cada vez mais com a babá, ou com os avós, porque você está trabalhando demais e o pouco tempo que tem quer ficar em paz, quer encontrar os amigos.

“Eu mereço”

Porque eu sustento essa casa e não quero criança me chateando quando eu chego.

“Eu mereço”

Porque tem dias que não quero ser mãe mas não tem um dia que eles não queiram ser filhos

“Eu mereço”

E quando você vê, nem lembra por que teve filhos ou o que imaginava quando eles ainda não existiam.

Você merece, você merece muita coisa, assim como seus filhos.

Se mereça com eles, preste atenção quando te chamam, acalma o seu coração porque eles não merecem a falta de equilíbrio por um egoísmo que não estão acostumados já que para eles tudo se resume a afeto e amor.

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Para os pais de menina

Como mãe de menino, eu penso todos os dias sobre o meu dever como mãe. Estou criando um ser humano independentemente do gênero, sim, mas sabemos como uma cultura viciada pode prejudicar tanto homens quanto mulheres e por isso é preciso ter foco para quebrar os padrões e permitir que nossos filhos sejam muito mais evoluídos que nós.

Mas sabemos que na prática o “faça o que eu digo não faça o que eu faço” não funciona muito bem. O exemplo é o mote principal da educação de uma criança e isso vai além de não fumar e comer comida orgânica. Por isso o meu papo hoje é com os pais de menina.

Eu sei que você foi criado de forma diferente, que possivelmente você tem uma mãe que fazia jornada tripla (trabalhava fora, cuidava da casa e dos filhos), ou que foi “dona de casa” mas não tão submissa quanto as mulheres das gerações anteriores. Eu sei que você respeita as mulheres, que não bate na sua companheira, que não humilha, ou qualquer coisa do tipo, mas para a sua filha, pequenas ações podem ter um peso muito grande, ainda mais vindas de você.

Se você acha que a sua parceira tem que cuidar da casa e servir você, então ela pode crescer achando que é ok viver servindo marmanjo. Se você acha que o fato de mulheres ganharem menos que homens não é problema seu, então ela pode achar que é ok ela ser inferiorizada no trabalho. Que é ok, numa discussão, ser chamada de louca por ser mulher. Que é mais fraca por chorar. Que tem certas coisas que não servem para ela (futebol, por exemplo). Que tudo bem o namorado a proibir de ir a algum lugar. Que ela dá conta dos filhos enquanto o marmanjo sai com os brothers porque ele precisa de um momento entre os machos sem mulher enchendo o saco. Que o irmão dela pode e ela não pode. Que homens são superiores.

Se vocês querem criar meninas seguras de si, que não se sentem inferiores a ninguém, então prestem atenção no modo como tratam suas esposas, namoradas, ex-esposas, mãe, irmã, amigas. Não adianta você ser um lorde com a sua atual mulher e sair dizendo que a sua ex é uma vaca mal amada que sofre com falta de pinto. Não adianta você dizer que “não vai incentivar esse negócio de princesa da Disney” se você não lava uma louça em casa e vive como se fosse o hóspede de um hotel.

“Mimimi, agora tudo é machismo”. Não, agora é tudo questão de parar com atitudes que criam uma cultura viciada que claramente não está dando certo. A mudança não está nos nossos filhos, está em como nos transformamos para criá-los.

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“Era Uma Era”- Um espetáculo infantil sobre o mundo digital

Facebook, Instagram, Blog, Snapchat, Waze, Twitter, Linkedin… As redes sociais existem, o mundo digital tem um peso enorme no nosso dia a dia e é inevitável não falar sobre ele. Mais inevitável é que nossos filhos tenham contato com esse mundo. Mesmo pequenos, eles estão nas nossas fotos, nos nossos posts, no nosso blog! Mas vez ou outra surge algo ou alguém que nos faz pensar sobre a memória, sobre o ser efêmero. Você pode ter 500 fotos do seu filho no Instagram, mas quantas fotos dele impressas você tem? Aqui, as fotos impressas não completariam UM álbum de 30 páginas.

Nós, os pais, ainda temos uma conexão com o passado, com o offline, com o papel, com palpável. Mas e os pequenos? Não acho que proibir o contato com o digital seja uma opção, mas talvez apresentar outras opções além do mundo virtual. Por exemplo, ao invés de um canal no You Tube, que tal levar ao teatro? Ao invés de proibir o celular ou tablet no teatro, que tal INTEGRAR esses elementos na peça? Essa é a ideia do espetáculo “Era uma Era” da Cia. Mungunzá (conhecida entre os adultos pelo premiado “Luis Antonio Gabriela”).

Na peça, Barba Rala, rei de um Reino Ainda Sem Nome, deseja a todo custo entrar para a história e poder dar um nome ao seu Reino. A única forma que um Reino tem de ser reconhecido e entrar para a história, é completando 100 páginas no Grande Livro de Autos. O Reino cresce e tudo vai sendo registrado. Até que um dia, após um incêndio, o livro é destruído e os habitantes tem que recomeçar sua vida do zero. No entanto os tempos são outros e agora a Era vigente é a Era da Tecnologia. A peça se repete novamente, mas completamente contextualizada no caos da era digital. Novamente o Reino cresce e vai se preenchendo de memórias e registros e selfies até entrar em colapso novamente.

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O espetáculo foi inspirado no livro O Decreto da Alegria, de Rubem Alves e a dramaturgia foi sendo construída em conjunto com o grupo e a direção. “Queríamos trazer as fábulas para atualidade e fazer uma história com elementos que falassem ao menino de 5 anos até um idoso de 80. A tecnologia é, sem dúvida alguma, um tema que atinge a todos. Você que escolhe a forma de se relacionar com ela e a partir dela. Se ela separa ou une depende de nossa forma de lidar com isso, mas é inquestionável ”, explica a diretora Veronica Gentilin.

“Era uma Era” estreia amanha, 3 de fevereiro, no Espaço Caixa Cultural na Praça da Sé, 111. É grátis (basta retirar os ingressos com antecedência no dia da apresentação) e vai até o dia 19.

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