10 Perguntas para: Carlos Castelo

Bom, enquanto eu sofro o meu momento de ócio não criativo aqui no blog, resolvi postar uma entrevista que o so called mestre Castelo gentilmente me concedeu ano passado para integrar o projeto de uma revista da faculdade.

Uma vez que eu, jornalista beginer não mandei neeeeeemmm um arquivo em anexo, espero que ele não se incomode de ver a entrevista aqui uma vez que, puxa saquismos à parte, considero sua pessoa e sua obra muito interessantes.

Vale conferir:

“Nascido em Teresina, no Piauí e radicado em São Paulo desde os 3 anos de idade, Carlos Castelo é um dos maiores nomes do humor brasileiro. Ainda na faculdade de jornalismo, foi um dos criadores do grupo musical Língua de Trapo, sucesso paulistano nos anos 80 e 90. Juntos influenciaram grupos como o Casseta & Planeta e os Mamonas Assassinas. Cronista, compositor  e publicitário Castelo rende horas de conversa que tentamos resumir em apenas 10 perguntas:

1-Como surgiu o Lingua de Trapo? Qual era a proposta inicial?

Surgiu de uma festa de recepção de calouros na faculdade de jornalismo. Laert, Guca e Pituco queriam fazer um trote musical, em vez da história de raspar cabelos e etc. Promoveram um show chamado “Esquina do Grito”. Eu era um dos calouros.

Achei o jeito dos três muito curioso. Eles tentavam cantar a sério e todo mundo ria. Alguns dias depois do espetáculo procurei-os com um samba de breque de minha autoria. Eles curtiram e, a partir dali, começamos o núcleo que deu origem ao Língua de Trapo.

2-Quais os maiores perrengues que você passou com a banda?

Pra mim foi a vaia que os cariocas deram na minha musica “Os Metaleiros também amam” no Maracanãzinho. Foi por bairrismo. Mas é uma tremenda saia justa cantar pra milhares de pessoas apupando o tempo todo. Chegamos a pensar em entrar no palco mostrando a bunda para a platéia, mas a Globo vetou a iniciativa, obviamente.

3-E as maiores glórias?

Ter o Chico Buarque como “backing-vocal” numa música minha num show em homenagem ao jornalista Tarso de Castro num café-teatro aqui em SP.

4-Quais os próximos projetos do Língua?

Estamos pensando em fazer um novo disco só com os sambas que compus para o Língua de Trapo. O projeto ainda é um feto, mas tem grandes chances de sair do papel. A outra idéia é termos um documentário com a nossa história.

5-Se você estivesse começando hoje, acha que haveria espaço em meio a tantas bandas de jovens emos e afins?

Sempre há espaço para ideias novas e instigantes. Agora, para idéias “emos” talvez seja mais complicado. Inclusive porque emo que é emo não tem ideia, só “emoções”.

6-Com tudo que a internet oferece hoje em dia, ficou mais fácil ter seu espaço no cenário musical?

Os my spaces da vida estão aí pra garantir tais espaços. O problema, como diria o saudoso Vicente Matheus do Corinthians, é “separar as jóias do trigo”. Há muito lixo em meio a essa virtualidade toda. E poucas jóias. Como sempre, aliás. Com ou sem internet.

7-Mudando de assunto, como foi o caminho para a publicidade?

Quando eu era jornalista entrevistei o Washington Olivetto. Um dia resolvi mudar de copydesk pra redator de propaganda e o procurei. Ele foi extremamente generoso comigo. Alem disso, era fã do Língua de Trapo, o que me ajudou bastante. Fui indicado por ele a Ogilvy e, em uma semana, estava empregado lá ganhando cinco vezes o que ganhava no jornalismo.

8- O que mais mudou na publicidade de lá pra cá?

Mudaram os “meios” e muito. Mudou o consumidor, que hoje comanda o espetáculo. Mas boas histórias sempre vão precisar ser contadas. Isso nunca muda.

9-E os livros? Como surgiu o primeiro? Pretende publicar outros?

O primeiro foi “Aqui Jaz – O Livro dos Epitáfios”. Recebi o convite pra virar escritor do Nelson dos Reis, editor da Ática. Ele acompanhava o Língua de Trapo e achava que o nosso texto de humor das letras e esquetes era muito bom, que deveria vir para a Literatura. Aí me pediu pra sugerir um livro. Sugeri esse tema dos epitáfios, mas como já trabalhava em Propaganda, na DPZ, lhe disse que tinha pouco tempo pra desenvolver a idéia. Convidei o Edson Aran, que hoje é editor da Playboy, para escrevê-lo comigo. Ele topou na hora. E, em 1996, na aurora da internet, redigimos o livro inteiro por e-mail. Foi uma novidade tão grande que até o Jô ficou abismado quando nos entrevistou em seu programa na época.

10-O que você vê de novo, que é muito bom culturalmente falando? Podem ser bandas, atores, escritores, humoristas, etc.

Nesse ponto sou mais conservador. Ainda estou digerindo obras dos anos 50, 60. Em literatura ainda estou lendo o que se produziu no começo do século XX e tentando criar um ponto-de-vista. Mas acho que o Dalton Trevisan é bastante promissor (risos, uma vez que se refere ao autor curitibano nascido em 1925)”

Apesar de estar no Blogroll não custa re-indicar (?):

www2.uol.com.br/castelorama

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