A Etna e o jeitinho brasileiro

Na última semana, tive uma série de desentendimentos com a Etna (que, para quem não conhece, é uma loja de móveis e utensílios para a casa aqui em SP e no RJ). É o armário recém montado que está torto, os atrasos para entregar e para enviar a assistência técnica, o rack que está cedendo porque não possui um suporte forte o suficiente, enfim…

O fato é que todo esse auê me fez refletir mais profundamente sobre algo que envolve tooooda a nossa belíssima cultura brasileira que, obviamente sem citar as coisas boas, é internacionalmente conhecida pelo seu “jeitinho”, a vontade de tirar vantagem em tudo e por admirar mais a esperteza do que a inteligência.

O fato é que como minha mãe sempre diz, é um país que empurra sua população para a marginalidade. Com toda a burocracia e a desigualdade de leis que valem para uns e não valem para outros o brasileiro já nasce aprendendo que quando pode tirar vantagem e DEVE tirar vantagem. Mas por que isso?

Na minha opinião, isso é uma herança genética, cultural e bla bla bla, entre outros fatores diversos. Ok. Mas o fato é que o brasileiro é tão desrespeitado diariamente, que é de se esperar que quando tenha uma brecha, tente tirar vantagem. É o transporte público totalmente defasado, a falta de estrutura que envolve desde o sistema de saúde até o de moradia, o atendimento precário que está presente onde quer que você vá, impostos altos para qualquer coisa, falta de segurança, enfim…

E a vida não é fácil para ninguém a não ser para aqueles que estão acima da lei. Não estou falando apenas dos “menos favorecidos”. Classe A, B, C, D, E todos pagam impostos e a falta de estrutura atinge, não da mesma forma obviamente, a todos. Por exemplo, um trabalhador que é assaltado no ponto do ônibus se sente tão impotente e assustado quanto um empresário que é assaltado nos Jardins enquanto entra no seu carro importado.

O brasileiro é feito de bobo tão frequentemente, que vai ficando calejado. Tirando os que já nascem com espírito de porco (coitado do porco), quando você vê uma pessoa furando uma fila ela provavelmente já aguentou em silêncio (ou mesmo protestando, de que adianta?) dezenas de furões na frente dela.

E assim vamos caminhando, porque é vantajoso para os que estão acima das leis e da moral, que todos nós fiquemos aqui, nos matando, nessa guerrinha entre “ricos” e pobres”, e achando que tudo isso é muito normal.

Enfim é isso. E daí, um belo dia eu vou entrar na Etna arrastando um rack, e vou começar a gritar no meio da loja “Ó, aqui ó, tá quebrado” e vou ser chamada de louca e se não for presa vou, no mínimo, ter que prestar contas para a gerência da loja que certamente de fod* tanto quanto eu na hora de exigir alguma coisa bem feita!

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