A irmã do meio

Há tempos que estou para escrever esse post, mas achava que palavras não seriam suficientes para demonstrar o que sinto, portanto, encarem como um simples relato e não uma declaração.

Em 2008 eu tive um insight e, desiludida com a minha antiga profissão, resolvi fazer uma faculdade. O curso escolhido foi jornalismo, pois sempre me identifiquei com a profissão apesar de na época só ter uma visão superficial.

Tive que respirar fundo muitas vezes, porque nunca é fácil recomeçar apesar da empolgação inicial que novas oportunidades oferecem. Então com 24 anos recém completos, imaginei que seria difícil lidar com os meus colegas de classe, na sua maioria mais novos do que eu como se idade fosse sinônimo de experiência. É e não é. Também achei que seria difícil (e foi) encarar o “primeiro emprego” e a vida de estagiário enquanto todos os seus amigos estavam começando a deslanchar na carreira. Na verdade até eu duvidava que poderia chegar ao final.

O fato é que, como tudo na vida, não podia imaginar o que estava por vir. Não podia imaginar que, além de matérias, ganharia também lições de vida.

Ao longo desses 4 anos aprendi mais do que ser jornalista ou comunicadora. No começo, achava que teria muito a dividir com a minha “vasta” experiência. Considerava aquele pequeno grupo de meninas (que com o tempo foi crescendo) minhas irmãs mais novas. E são. O sentimento que surgiu, o carinho, o cuidado, o zelo, foi de uma irmã mais velha para com uma irmã mais nova. Mas me enganei, e não foi pouco, ao achar que não seria uma relação de troca.

Ah, a “irmã mais nova” me mostrou tanta coisa! Me mostrou que é possível ser firme e doce, atenta e solícita, e sempre salvar a todos com o seu caderno “de ouro”. Me mostrou que caráter é opção, que é possível enfrentar todas as dificuldades do mundo de braços abertos e com um sorriso no rosto, que é possível admirar sem invejar e que qualidades tão especiais podem vir em dose dupla! Me mostrou que existem “meninas mulheres” de salto alto, cheias de coisas divertidas para dizer, com paixonites repentinas de menina e responsabilidade de mulher feita. Quem diz que o cachorro é o ser mais leal que há, é porque não conhece essas meninas mulheres. Me mostrou que há bondade e inocência no ser humano, que em meio aos problemas se importa em saber se você acha que ela está errada.

Também descobri que é possível mudar de opinião e nem sempre a primeira impressão é a que fica. Um belo dia você pode descobrir que aquela pessoa com cara de invocada, que parecia mal humorada, é na verdade uma das pessoas mais incríveis e amigas que você já viu, sempre pronta a ajudar e disposta a divertir. E que uma outra pessoa, também baixinha e invocada, mas carismática até dizer chega, é tão “rompe ferro, corta vento” que invade a sua vida e ocupa um lugar no seu coração logo na primeira conversa na mesa de bar.

Às vezes você lamenta. Lamenta não ter conhecido antes a menina discreta com coração de ouro, que sabe guardar segredos e muitas vezes e o porto seguro de todas as outras, sempre tão falantes. Por falar em falantes, aprende que ouvir é essencial e que em meio a tantas palavras aquela pessoa pode ter muitas coisas importantes a dizer. Aprende a olhar de perto e a não julgar a menina bonita e vaidosa. Vê que por trás daquela aparência, há muitos sentimentos e aprende a confiar em quem de fato confia em você.

Tudo fica ainda mais legal quando além de ter uma irmã mais nova, você tem um irmão mais velho. Aquele que desperta a admiração de todas por seus inúmeros conhecimentos, que é sempre o primeiro da lista quando alguém tem uma dúvida sobre qualquer assunto. Aquele amigo fiel com jeito bonachão de cachorro labrador sempre à postos. Aquele irmão que parece ter saído de um gibi de tão divertido e interessante que é. Aquele mais calado, que gosta de carros, mas sempre com paciência para ouvir a gritaria da mulherada e as reclamações alheias. Aquele com espírito de líder e charme de menino que une as pessoas.

Enfim, já me prolonguei demais e sabia que isso aconteceria. E olha que só falei dos irmãos, nem cheguei nos primos ainda! O fato é que há 4 anos eu era uma pessoa diferente. Certamente eu, a irmã do meio, a irmã mais nova que também é mulher, e o irmão mais velho que também é menino, somos diferentes agora. E não consigo ver como seríamos piores. Passamos a “infância” juntos e agora estamos chegando na adolescência das nossas carreiras e, porque não dizer, da vida.

É fato que agora pode ser que o irmão mais velho vá fazer um intercâmbio e que a irmã mais nova arrume um namoradinho que tome mais a atenção dela do que você. Mas não importa…

Acredito que só ganhamos e fico ansiosa para acompanhar tudo o que será das nossas vidas após uma infância tão intensa. Não vejo a hora de ver a irmã crescer e aparecer (ainda mais!) e o irmão ganhar o mundo.

Boa sorte para todos nós!

* Peço desculpas a quem não entendeu, mas esse post foi totalmente “piada interna”, e piada interna não se explica.

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