Por um mundo com mais crianças mentalmente saudáveis e menos bebês biônicos

Para começar esse texto, preciso explicar uma coisa: estou vivendo um momento “baby boom”. São diversos bebês ao meu redor que estão para chegar ou já chegaram nesse ano entre sobrinho, afilhado, filhos de amigos, enfim, inclusive o meu próprio chega nesse semestre.

Evito ler qualquer besteira da internet,  não acompanho quase nada, estou lendo UM livro sobre o assunto e só. Mas tem uma coisa em particular que tem me chamado muito a atenção e está martelando há semanas na minha cabeça: a busca incansável por pessoas perfeitas e essa cobrança que já começa com o pobre feto na barriga. Por exemplo, outro dia eu conversava com um amigo sobre o meu filho e tudo mais e ele me perguntou sobre a escola que eu gostaria de colocar. Claro que isso é tudo hipotético, o menino nem nasceu então a escola que ele vai estudar são apenas ideias jogadas. Quando falei o colégio, um famoso de SP inclusive ligado a uma faculdade, ele falou: “Não é dos melhores de São Paulo.”

Não estou CONDENANDO o meu amigo, é claro que todos nós buscamos o melhor para os nossos filhos, eu só citei o diálogo para dar uma introdução ao que eu realmente quero dizer.

Eu vejo tantos pais se preocupando com a alimentação (tem crianças que nem podem comer brigadeiro em festa infantil), a inteligência (com mil apetrechos, DVD’s desenvolvidos em Harvard que “estimulam” o cérebro), entre outras coisas que eu não me aprofundei porque, como disse acima, essas coisas me irritam e eu perco a paciência.

Novamente: é CLARO que eu vou cuidar da alimentação do meu filho e quero que ele seja estimulado a usar o cérebro e tudo mais, mas não estamos perdendo algumas coisas pelo caminho?

Desejo para o meu filho, não que ele curse Harvard, mas que ele tenha uma vocação, descubra, ame e faça o que gosta apesar dos dias ruins e estressantes. Que ele saiba as delícias de se acabar em uma panela de brigadeiro de colher, mas que também devore frutas e saladas como o pai dele costuma fazer. Desejo que ele tenha tardes de preguiça, mas que adore jogar futebol, nadar e se movimentar. Desejo que ele seja curioso, interessado e tenha paixão pela vida. Desejo, não que ele “não seja viado”, mas que ele saiba respeitar todas as pessoas, independente de raça, cor, religião ou opção sexual. Desejo que ele trate bem as mulheres, os idosos e as crianças. Desejo que ele saiba seu lugar no mundo, que “seja responsável por aquilo que cativa”, que saiba argumentar e buscar sua própria opinião. Desejo que ele tenha falhas, defeitos e até algumas manias, mas que não seja dominado por isso. Desejo que ele seja seguro, que não faça dos “traumas” algo maior do que realmente é, que saiba enfrentar a vida sem precisar da ajuda de profissionais e que se precisar da ajuda de profissionais, não precise da ajuda de remédios. Desejo que ele saiba e valorize a importância da família e saiba que ali está o verdadeiro significado de “segurança”. Desejo que ele encontre o seu próprio significado para FÉ. Que respeite o mundo e sua natureza.  Que admire a vida, que ria, que chore, que rale o joelho, que seja ruim em uma matéria da escola, que tenha bom humor, que seja leve,  que leve um pé na bunda, que dê um pé na bunda, que fique puto, que pule o banho um dia ou outro, que faça uma cagada no cabelo ou uma tatuagem que só ele entende o significado. Que seja mais feliz que triste. Que seja eterno.

E, parafraseando Victor Hugo (que também me inspirou nesse post): “E se tudo isso acontecer, não tenho mais nada a te desejar”

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5 comentários sobre “Por um mundo com mais crianças mentalmente saudáveis e menos bebês biônicos

  1. Esse é se não o melhor, um dos melhores textos que vc escreveu! Realmente, imprima e faça um quadro. Desejo que ele não caia nessa cilada de querer ser o melhor de todos e não se sufoque com essa cobrança exagerada que todos nós sofremos…..
    Com você como mãe e o Fefus como pai, vai ser fácil alcançar essas tuas palavras 🙂
    beijos da Inaaaaah #facepalm

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