Manual prático do recém-pai

Já vi muitos textos na internet e livros que falam sobre ser pai. Outros textos tentam passar os sentimentos da mãe durante a gravidez e no pós-parto, talvez com o intuito de passar uma mensagem, talvez buscando uma empatia daqueles que estão ao redor da recém-mãe e não passaram por essa experiência.

O fato é que a impressão que eu tenho é que quem deveria ler, não lê ou parece complexo demais. Por isso resolvi fazer um “Manual do Recém-Pai” simples, claro e direto. Vejam bem: não estou colocando todos os homens no mesmo patamar, sei que não são iguais. Ninguém é igual. Também não estou dizendo que pais são inúteis e errados enquanto mães são certas e inatingíveis, pelo contrário: quero mostrar que o pai pode e tem um papel maior que ele atribui a si mesmo. Então que tal desmistificar algumas “verdades absolutas” que ouvimos por aí nos universos paternos?

“Isso é frescura da gravidez”

Olha só, NADA é frescura da gravidez. Muitas vezes os hormônios, os enjoos, o peso, o inchaço, a insegurança, entre outras MIL coisas típicas da gestação, podem “afetar” uma pessoa.

"Dia 1 - E agora?"

                                              “Dia 1 – E agora?”

“Eu não sei trocar fraldas / dar banho / fazer mamadeira / pegar no colo”

Bom, EU e a maior parte das minhas amigas que hoje são mães, também nunca haviam feito essas coisas antes de ter filhos. Se a mãe aprende o pai pode aprender, não?

“Vou ficar em casa fazendo o que? O bebê só mama e dorme”

Os primeiros meses de vida da criança demandam uma nova configuração da família, afinal, agora existe mais alguém ali definindo os papéis: o novo pai, a nova mãe. É normal que homens se sintam um pouco “sem função”. A dica: fique ali. Apenas esteja ali. Se conseguir, tire férias, mais dias de licença no trabalho, volte mais cedo para casa. Não é difícil. Apenas esteja ali.

“Como assim cansada, você não fez nada o dia inteiro, por que não dorme quando o bebê dorme?

 Mama, arrota, dorme, acorda, cólica, troca, chora, mama, arrota, dorme, troca, faz a comida, lava a roupa de cocô, banho, chora, tira o lixo, mama, troca, arrota, chora, dorme, não dorme, não arrota, não mama, chora, cada três horas, a cada duas, a cada meia hora… Nos primeiros meses a vida da recém-mãe é um amontoado de horas que se confundem enquanto fazemos a mesma coisa. Cansa. Pra burro. Esgota.

“Ela está ótima, ter filhos é algo natural da mulher”

Independente do tipo de parto, é um PARTO. É um corpo expulsando outro corpo que esteve ali por 9 meses. Demanda RECUPERAÇÃO. Demanda CUIDADO. Demanda um repouso que não existe. Dói, incomoda, é estranho por melhor que seja a recuperação. São orgãos se movendo, voltando para o lugar, murchando, enchendo, mudando. Pense nisso.

“Depois da quarentena podemos transar”

Podem, mas lembre do tópico acima. É um corpo se recuperando. Some o cansaço extremo, o psicológico tentando se adaptar a uma nova realidade, a queda hormonal, um corte na barriga ou um ponto na vagina. Existe um fator físico que pode afetar mulheres que amamentam: a “secura” na região vaginal. É fora do controle dela. Pode ser sim que aconteça logo após a quarentena, pode ser que não aconteça, pode ser que a frequência não seja tão intensa. Por favor, respeite esse momento e deixe isso claro. Mulheres em relações monogâmicas costumam pensar que se não proporcionam em casa o homem vai procurar “fora”. Bom, você pode “procurar fora” por diversos motivos mas alegar que é por conta do pós-parto não te faz mais macho, te faz apenas um puta de um escroto.

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“Ela dá conta e sabe o que fazer”

Não, ela não dá. Ela está cansada mas tem medo de te pedir socorro e se sentir fracassada. Ela quer dormir. Ela quer sair com as amigas. Ela quer transar. Ela quer emagrecer e ficar bonita. Ela quer ser uma ótima mãe. Ao pedir socorro ela não quer encher seu saco, ela quer apoio. Não bufe. Por favor não bufe. O MUNDO adora dizer que mulheres reclamam, mas elas reclamam na mesma intensidade que homens bufam. Todos. 

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“Isso é função da mãe” 

Amamentar é a única função que cabe exclusivamente a mãe. O instinto materno não nasce com ela, nem surge milagrosamente da noite para o dia. Saiba que a maior parte do tempo ela não tem ideia do que está fazendo, mas está tentando acertar.

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“Se é tão horrível assim, por que tivemos filhos?”

Não é horrível. Esse post se refere, principalmente, ao primeiro mês de vida do bebê. Tem incontáveis coisas lindas, maravilhosas, muito amor e conforme as fases vão passando, só melhora. A conexão do filho com o pai vai se tornando cada vez mais forte, a vida vai voltando ao normal, tudo ganha um novo sentido. As noites de sono voltam, o corpo da sua mulher se recupera, o casal volta a existir.

Paciência é a palavra de ordem.

É momento de se doar para outro alguém. A mãe se doa para o filho de vocês. Então que tal se doar para o filho amparando emocionalmente a mãe?

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