Estamos esquecendo de avisar alguém sobre o empoderamento feminino

Eu tenho visto diversas matérias, sites e blogs, feministas ou não, falando sobre o empoderamento feminino. Os movimentos vão desde um “boicote” de meninas às Princesa da Disney, passando por mães e o direito a escolha de como querem parir seus filhos até mulheres ocupando grandes cargos e tomando as rédeas das próprias vidas.

Eu acho todo esse movimento maravilhoso, tenho vontade de gritar para o mundo como mulheres são FODA até olhar para o lado e ver que tenho um marido e dois filhos e pensar que talvez, e apenas talvez, eles e outros não estejam sabendo sobre isso e que talvez, e apenas talvez, o empoderamento feminino ganhe muito com algo que vou chamar de “libertação masculina”.

Explico: não estou falando que homens sejam reprimidos e precisam de libertação. Me refiro a libertação do machismo encruado. Tão encruado que mal percebemos. Vejo nas escolinhas, que meninas fazem judô mas não vejo meninos fazendo ballet. E isso não tem nada a ver com sexualidade. Um menino heterossexual deveria poder fazer ballet sem ter sua sexualidade colocada em cheque. Entendem o ponto?

O tema da redação do ENEM desse ano é prova disso. Vi inúmeros comentários infelizes partindo de meninos novos que não tinham nem pêlo na cara. Em sua maioria são meninos que aprenderam que para sua auto-afirmação precisam diminuir o outro. Seja uma mulher, outro homem, um(a) homossexual.

O caminho do empoderamento feminino sempre será mais difícil enquanto não lutamos por tirar o machismo encruado dos nossos meninos. O machismo que homem não chora, que tem que perder a virgindade assim que conseguir segurar uma ereção (às vezes antes!), que não brinca de cozinha, que não pode querer uma boneca. Isso ainda está, E MUITO, ligado a sexualidade deles.

Falando em termos claros, o movimento que existe é “meu filho gosta de boneca e não há nenhum problema dele ser gay”. Ok, mas e se ele simplesmente ele apenas gosta de boneca mas não é gay? A não ser que você seja uma pessoa muito evoluída, possivelmente num primeiro momento o que você pensou com a minha última frase foi: “Ah, mas estranho né, gostar de boneca?” MESMO que esse pensamento tenha sido muito rápido, quase calado lá no fundo do cérebro.

A “libertação masculina” ainda causa tanta resistência quanto o empoderamento feminino e não estamos falando sobre ela.

we-can-do-it

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