Fazendo as pazes com meu parto

Estou para fazer esse post há algum tempo e hoje me pareceu o momento propício pelo seguinte: o Facebook me mostrou nas lembranças que há  exatamente 1 ano eu postei um texto não autoral com a legenda “Já fiz cesárea, não faço de novo”. Ironias da vida, na época eu nem grávida  estava. Acabou que engravidei novamente e sim, fiz outra cesárea.

Pela introdução você já pode imaginar que na minha primeira cesárea sofri muito na recuperação e já falei isso aqui. O sofrimento físico foi superado, porém ficou a sensação de impotência, a impressão que eu deveria ter “lutado” mais pelo meu parto, que a cesárea havia sido desnecessária. Passei a ser a maior “ativista” do parto normal.
Daí você pode imaginar o tamanho da minha decepção quando, em meio ao meu NÃO trabalho de parto apesar de ter feito tudo que podia durante horas, a médica sugeriu a cesárea. Eu chorava tanto que ela disse que não me levaria para o centro cirúrgico enquanto eu não me acalmasse e então ouvi um daqueles grandes conselhos da minha vida vindo da minha mãe.

Ela frisou como estávamos em um momento maravilhoso das nossas vidas, como eu estava saudável, dando a luz a um bebê saudável, como aquele deveria ser um momento feliz das nossas vidas e que eu não deveria estragar isso colocando nós dois em risco ou simplesmente permeando a tristeza e a frustração nesse momento. Meu bebê não merecia isso. Eu não merecia isso. 

No fim do dia, a cesárea me salvou e salvou o meu bebê. Por que? Não interessa. Por que não interessa? Eu concordo que temos cesáreas desnecessárias, cesáreas agendadas sem motivo plausível, que o parto normal tem esse nome não é a toa e a informação deve ser difundida. Acho maravilhoso essas mulheres tão empoderadas que tem seus bebês em casa e não titubeiam mesmo quando o processo não é rápido ou simples. Mas algumas coisas podem ser muito piores para uma mulher se recuperando de uma cesárea que o corte.

Então, o que muda na sua vida saber sobre o meu parto? Tem pessoas que antes de perguntar se a mãe e o bebê passam bem, perguntam se foi “normal ou cesárea”. Talvez seja daquelas perguntas que fazemos sem interesse na resposta, mas a mãe que está ali já responde “foi cesárea” e em seguida descreve a situação, quase como quem pede desculpas.

Depois de dois anos e meio e dois filhos, pude fazer as pazes com meus partos. Meus filhos estão ótimos, saudáveis, assim como eu. Não acredito que perdi tanto tempo me sentindo mal pelo parto do meu primeiro filho, não acredito que dei para isso uma importância maior que deveria ter.
Se você se sente assim, liberte-se e olhe para o seu filho. Ele veio ao mundo e trouxe o maior amor que você já sentiu e esse amor é tão sublime que não depende de parto para nascer.
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