Sobre ter irmãos

Esse post não é efetivamente sobre ter um irmão. Eu tenho uma irmã e sei que nunca desejei que ela não existisse. Ok, talvez tenha desejado uma ou duas vezes durante nossas brigas adolescentes, mas não era sério. Mas quero falar sobre ter mais de um filho. Sobre “ter irmãos”.

Quando engravidei do meu segundo filho tive medo de mil coisas, mas principalmente de como isso afetaria a vida do primeiro. “Ele já está com ciúmes?” “Vai sentir ciúmes!” “Ele tem ciúmes da barriga?” “Ele pode ficar mais infantil” “O mundo dele vai cair!” “Tem que tomar cuidado para ele não bater no bebê”.  Fiquei apavorada, confesso.

A verdade é que o ciúmes existiu, claro. Minha apreensão também. Acho que sofri mais que eles. Mas eu quero falar sobre as glórias de se ter um irmão, que vão além de “é bom para não ficar mimado”. Agora, 6 meses depois, acho que o meu mais velho (quase 3 anos), não lembra como era a vida sem o irmão mais novo e o mais novo, não preciso nem dizer, muda totalmente quando está na presença do irmão. Não demanda tanto. Aprende a brincar. Observa o mais velho. Admira.

Nesse meio tempo eu presenciei inúmeras cenas de amor incondicional entre os dois. O mais velho chega da escola e conta histórias para o bebê. Mostra os brinquedos. O mais novo olha maravilhado. Claro que vai chegar a fase das brigas, das birras, da competição. Eu não gosto de dar dicas, porque sinceramente acho que cada um é cada um, cada criança é uma criança e o que funciona para mim pode não funcionar para você. Mas se perguntarem “o que você faz para incentivar o companheirismo?”, eu diria:

  • Não incentive a competição. Não fique falando que o mais velho está com ciúmes da barriga, ou que está agindo de um jeito ou de outro por causa do irmão;
  • Todos os brinquedos, todas as coisas são dos dois. Mas, se o mais velho tem muito apego a algum objeto, respeite esse apego. Com certeza o bebê pode brincar com outras coisas. Eu também tenho objetos do bebê, e de vez em quando é ele quem empresta pro irmão mais velho;
  • O bebê “trouxe” um presente bem legal para o irmão, quando nasceu.
  • Dê carinho e amparo para o bebê, mas evite ficar “alisando” muito na frente do irmão. Se fizer um carinho, faça igual no mais velho.
  • Respeite se ele quiser tomar banho na banheira do bebê, se de vez em quando parecer mais carente, se parecer mais “infantil”.
  • Evite passar a responsabilidade para o mais velho, principalmente se ele ainda for pequeno. “Você tem que cuidar do seu irmão”, “Você tem que ajudar a mamãe”. Costumam falar muito isso para a criança, eu acho errado. Se eu fosse a criança pensaria (ou apenas sentiria) “Ei, eu não fiz isso! Eu não tenho ‘culpa’ nisso, por que vai sobrar pra mim?”, mas se o mais velho quiser participar de atividades com o irmão, permita.
  • Mostre desenhos, filmes, e conhecidos com irmãos. A Peppa, por exemplo.
  • Fale como o bebê adora o irmão mais velho.
  • Tente ter momentos, ainda que curtos, apenas com um ou apenas com outro. No meio de toda a correria, conseguir ler uma historinha para o mais velho, é suficiente.
  • Se o mais velho vai para a escolinha, pode ser que fique resistente nos primeiros dias com o bebê em casa. Eu mentia mesmo, dizia que ia levar o bebê para a “escola do bebê”, que ia trabalhar e enfim, todos iam cumprir suas rotinas.

E aí, como foi a adaptação entre irmãos?

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