A vida do bebê com refluxo

Bruno nasceu com refluxo. Nasceu. Como eu sei? Logo na primeira noite da maternidade eu tive que ir buscá-lo no bercário. Só escutava meu filho chorando. Ao colocá-lo na cama comigo, mais elevado, ele golfou e sossegou. Tinha que estar elevado MESMO, não adiantava deixar naquele carrinho da maternidade. Mas até então, eu não sabia disso.

A verdade é que todos os bebês nascem com refluxo, porque a válvula que “segura” o alimento ainda não está completamente formada e o sistema digestivo ainda é muito imaturo. O que eu não sabia, é que existiam TIPOS de refluxo. O refluxo fisiológico, é aquele normal, que acomete a maioria dos bebês. Nesse caso o bebê regurgita mas não sofre. Era o caso do meu primeiro filho. Ele regurgitava DEMAIS, mas não parecia incomodado com isso.

Tem o refluxo oculto é o mais difícil de detectar. Isso porque o bebê não chega a golfar, mas aquele vai e vem do suco gástrico causa queimação e, consequentemente, um bebê irritado. Nesse caso são necessários exames para diagnosticar o refluxo.

Por fim, tem o refluxo gastroesofágico. Os sinais de alerta são dor, irritabilidade, recusa de alimentos, regurgitação frequente, vômitos e um ganho de peso baixo. A falta de tratamento pode causar irritação no esôfago, anemia e complicações respiratórias.

O Bruno foi um recém-nascido irritado. Graças a Deus não tivemos problemas de peso, ele sempre foi grande e mamava independente do refluxo. E mamava rápido, o que não ajudava… Ele não dormia mas não ficava tranquilo. Quando dormia era porque desmaiava de cansaço. E então acordava aos berros, como se tivesse incomodado com alguma coisa. Golfava demais, grandes quantidades. O arroto era aquele que vinha “de dentro”, de um jeito que nós pensávamos “isso ardeu!”. Levei todo o cenário para a pediatra que, por sorte, viu o Bruno irritado dessa forma na consulta (porque é normal eles ficarem uns anjinhos durante as consultas e nós passarmos por loucas, né?) . Começamos o tratamento primeiro com um remédio para amenizar os sintomas e, como funcionou, depois começamos também com o remédio para tratar o refluxo propriamente dito.

Segundo minha pediatra, mais que o remédio é preciso uma mudança “postural”. E, apesar do trabalho que demanda, algumas medidas eram necessárias:

  • Manter o bebê sempre elevado. Berço elevado, trocador elevado. NUNCA totalmente deitado;
  • Manter o bebê em pé no colo por 20 a 30 minutos após a mamada (era sofrido fazer isso no meio da madrugada, mas me rendia algumas horas de sono);
  • Cuidado com o bebê conforto. Confesso que por noites a fio o Bruno dormia no bebê conforto dentro do berço. Porém, depois eu vi que a posição “esmagadinha” do bebê conforto piora a situação e faz o leite voltar ainda mais;
  • Eu tinha muito leite. Jorrava. É uma benção, eu sei, porém pode piorar a situação do bebê. Então o ideal é, se o peito estiver muito cheio, tirar um pouco do leite (manualmente) e então colocar o bebê para mamar ou dar 2x o mesmo peito em mamadas diferentes e quando for trocar tirar um pouco para o leite não sair com tanta pressão.
  • A posição da mamada também pode influenciar. Eu ficava quase deitada com ele em cima de mim, para o leite não sair tão fácil e ele mamar mais “devagar”;
  • Tente não fazer intervalos tão longos (3 horas). O ideal é que o bebê mame um pouco em vários momentos. Assim ele não fica com tanta fome e não se empanturra quando for mamar. Dependendo de quanto ele golfar por conta do refluxo, também é possível que ele sinta fome ou sede antes. Por isso, atenção.
  • Não sei dizer como funciona para quem dá complemento. Não tive que mudar nada na minha dieta pois não se trata de alergia ou intolerância, porém evito alimentos com muita lactose, iogurte, manteiga, requeijão… Consumia esses alimentos na versão SEM lactose.
  • Bruno não usa chupeta. A chupeta dava ânsia de vômito, fazia engolir mais saliva e piorava a sensação do refluxo.

Enfim, paciência. Bruno está com 7 meses e já há algum tempo melhorou do refluxo. É preciso cuidar e tratar para não virar uma doença crônica e não machucar o sistema digestivo já tão frágil dos nossos pequenos.

 

Bruno

Bruno, o bebê “elevado”

 

 

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