Estamos com medo dos nossos filhos?

Esse texto é um texto “cutucada” (não no mau sentido). É um post reflexão. Tomem como uma provocação sadia.

Eu tenho dois filhos. O fato de ter dois filhos não me impede de fazer (quase) nada… Claro que tenho “limitações”. Sair à noite sem eles é complicado, esticar de madrugada é pior ainda até porque sei que terei que encarar o dia seguinte como se nada tivesse acontecido. Mas, dentro das possibilidades, se eu posso fazer alguma coisa, eu faço.

Na última semana eu ouvi de muitas pessoas que me admiram porque eu consigo sair sozinha com os dois. Sempre escuto isso. Eu fico envaidecida, é claro, chego a pensar que sou realmente “guerreira” e tal. Daí penso na quantidade (ENORME!) de pessoas de várias gerações que têm dois filhos. Que tem três filhos. Quatro. SEIS!

Comecei a refletir se, baseados em tantas mil teorias, não estamos ficando com medo dos nossos filhos. Que teorias? Não pode bater. Não pode gritar. Não pode negociar. Não pode ameaçar deixar de castigo porque cria seres humanos inseguros. Deixar de castigo, nem pensar. Não pode barganhar senão sempre você vai ter que dar um presente se o seu filho se comportar bem. Não pode falar “não” mas também não pode falar “sim”. Não pode dar comida de fora. Não pode ficar sem almoçar ou sem jantar. Não pode tirar da rotina. Ou seja: realmente é complicado sair com alguém que depende das suas regras sendo que você não pode impor as regras. Fico pensando, se estamos com medo dos nossos filhos agora, que via de regra são seres humanos “maleáveis” e adaptáveis, o que vamos fazer quando eles de fato tiverem na fase do questionamento, da libertação? O que vamos fazer com essa geração adolescente? Sentar, ficar na altura do olhar, conter eles delicadamente pelos braços, falar em tom ameno e explicar por que não podem beber whisky com 15 anos? Sim. Ok. Mas só?

Mais que medo dos meus filhos, não tenho medo dos outros. Tô pouco me lixando se a mulher que eu nunca vi na vida vai me julgar porque meu filho está fazendo escândalo no mercado. Em outras palavras, quero que ela exploda. Também tô cagando se um senhor está buscando sossego na cafeteria dos shopping, domingo, 15h. Se ele estiver incomodado, posso dar o endereço de alguns “pesque-pague” para ele relaxar.

Via de regra, meus filhos adoram sair. Isso já facilita, porque eles são melhores na rua que em casa. Eu converso, falo onde vamos, falo o que vamos fazer e que eles têm que se comportar. Sempre levo biscoito de polvilho comigo. E lenço umedecido. Escolho as brigas que vou comprar quando estamos fora. O mais velho pediu um chocolate na padaria? Se isso vai me dar o tempo para tomar meu lanche e comprar o que preciso, ok, pegue o chocolate ainda que sejam 10 da manhã. Se para levar o mais velho na festinha eu tenho que dar “papinha pronta” para o bebê, então ok. Se eu vou atrasar o almoço porque estamos na rua, ok também. Se o bebê (meu mais novo era assim quando nasceu) chora no carro e eu estou dirigindo, paciência. Ele está ali preso na cadeirinha, está seguro, paciência.

Eu não acho certo bater ou ser uma histérica que grita a todo momento e também não gosto do conceito “mãe terrorista” que ameaça e estressa, mas acho que não dá pra ser politicamente correto com tudo. É a máxima que eu SEMPRE insisto: tem que fazer o que funciona para vocês e no fim do dia, se tudo der errado eu coloco os dois no carro e vou embora. Pronto. Afinal, ser mãe é lidar com o imprevisível a todo momento e isso inclui, de vez em quando, todos saírem da sua zona de conforto. Inclusive crianças e bebês.


 

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