Você gosta de cozinhar?

É mais ou menos assim que acontece quando alguém me pergunta se gosto de cozinhar:

– E você Antônia, gosta de cozinhar?

Corta pra hoje. Entrando na garagem com Guga e Bruno tenho a brilhante ideia de comer torta de palmito. Mas ah, quero a MINHA torta de palmito. Faço a volta. Vou ao shopping. “Que trânsito! Ah, nossa, tem jogo, será que meu marido vai ao jogo?” Entro no shopping. Não tem vaga. Melhor parar no Valet. 18 reais? Vamos lá, os meninos têm que jantar e já estou atrasada. Entro no mercado, carrinho do Bruno, Guga quis o carrinho que imita carro. Ok, vamos nós com dois carrinhos. Compro as coisas. 20 reais o vidro de palmito. Comprei dois. Saio do mercado e damos de cara com o parquinho. “Mamãe, quero brincar no parquinho”. Tá bom Guga. 20 reais por 15 minutos. 1 real por minuto excedente. “Vamos embora Guga”. Reluta mas vai. Pego o carro. Põe as tralhas. O palmito de 20 reais. Cada palmito é mais caro que o minuto excedente do parquinho. Chego em casa. Marido diz “Vou ao jogo”, come a sobra do jantar de, veja bem, sábado. Hoje é terça. Começo a fazer o recheio da torta. Marido diz “Mas você resolve fazer essa sujeira logo hoje, amanhã a diarista não vem”. Ele tem razão… Corta palmito. Cebola. Alho. Não tem leite. Esqueci o leite. Acho que não tem problema colocar leite Ninho +1 do Gustavo. Ok para recheio. Marido sai. Começo a trabalhar a massa. A massa cai na pia. Recupero a massa. Massa não dá liga. “Minha mão é muito quente”. Nota mental: não usar o leite da criança pra fazer torta. Já passa da hora do Bruno dormir e ele cobra isso. Chora. “Merda de massa”. Ligo pra minha mãe procurando algum consolo. “Mas que ideia fazer essa torta hoje!”. No fim ela me ajuda. Coloco a massa para descansar. Descanso também. Ou não. “Mamãe, xixi!!!”. Leva pra fazer xixi. Bruno quer dormir. Ele cobra. “Mamãe cocô!!!”. Chego ao ponto de dizer “Tudo bem Gustavo, mas agora chega, chega de xixi, chega de cocô, chega de comer, acabou o dia”. Quero privar uma pessoa de necessidades básicas só porque tenho uma massa para abrir. Abro a massa. Tá uma merda. Grossa. Pesada. Bruno está com muito sono. Muito. Considero chamar a vizinha para olhar os meninos enquanto abro a massa. Pincelo ovo. Coloco a torta no forno com a ideia que deveria ter comido recheio com arroz. Nessa saga, só quem descansou foi a massa.

– Hein Tota, você gosta de cozinhar?
– Ah, é… Mais ou menos…

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