Vale a pena ser mãe?

Quando se trata de expor a maternidade real eu sou a primeira a falar sobre o assunto. Muita gente se diverte comigo nas redes sociais por isso. É claro que se trata de uma experiência totalmente pessoal e há momentos em que amamos ser mãe e outro momentos que só queríamos parar o mundo e descer. Então, na realidade eu queria fazer esse texto há tempos, e acho que os “desafios” da última semana me deram o empurrãozinho que faltava.

Você gosta de ser mãe?

Bicho, eu transformei meu blog pessoal em um blog sobre maternidade, então o que você acha? Piadas a parte, eu amo ser mãe, com todas a suas mazelas e reclamações. É uma transformação profunda e por diversos momentos quando meu primeiro filho nasceu eu pensei estar com algum problema. Sofri com o baby blues nos dois pós-partos. Nesse ponto o blog foi essencial, pois coloquei aqui muito do que estava passando.

Ser mãe é a viagem mais louca da minha vida, com todos esses clichês, e ainda assim eu não consigo imaginar nenhum outro cenário em que minha vida seria melhor, sem meus filhos. Na realidade às vezes me pego pensando como vivi tanto tempo sem eles e o que eu fazia da minha vida. É como vi o Johnny Depp (que amamos!) falando há anos, antes mesmo de ser mãe: é como se tudo estivesse embaçado e de repente tudo se tornasse nítido e colorido. É disso que se trata a vida.

É a renovação da família. Já não tenho avós há alguns anos, vejo meus pais envelhecendo, meu marido e eu envelhecendo, nossos irmão envelhecendo, os cachorros envelhecendo. Então vem a vida e se renova. E traz toda uma onda de renovação para aquela família. Em meio a tantos problemas de adulto, há leveza.

De repente você quer se tornar uma pessoa melhor, quer comer melhor, evoluir e por incrível que pareça e por mais difícil que seja, tudo começa a fluir melhor. Você faz acontecer.

No fim do dia é como eu sempre falo: sabe aquela apresentação motivacional de PowerPoint que diz:

“Se hoje tivesse sido o último dia da sua vida, teria valido a pena?”

Posso dizer, antes de ter filhos seriam poucos os dias que teriam valido a pena. Desde que meu primeiro filho nasceu, com toda a loucura e complexidade que envolve ser mãe, SIM, todos os dias valem a pena. Todas as noites eu fecho os olhos e penso: “Quero acordar amanhã, mas se eu não acordar, teria sido um bom último dia?” E a resposta sempre é: sim, teria.

P.S: Eu não sou do tipo que acha que toda mulher tem que ser mãe, que mulher nasceu para isso e que sua vida está perdida se você não os tiver. Acho que é possível ter uma vida completamente plena e feliz sem filhos. É PERFIL. Comigo foi assim e torço pela paz de espírito das mulheres que estão passando por dificuldades nessa trajetória.

 

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Cabeça de mãe

“Ai que ótimo, eu estava mesmo precisando de um momento sozinha, ainda bem que minha mãe pode ficar um pouco com o bebê para dar essa saidinha até o mercado. Nossa que sono, meu Deus olha a minha cara! Quanto tempo que eu não dirijo, acho que não sei mais manobrar. Será que o bebê está bem? Sono… Sono…Não tem nada que possa dar errado né, ele acabou de mamar e está com a minha mãe na minha casa. ANDA COM ESSE CARRO SEU INFELIZ. O mercado é perto, volto rápido. Precisava passar na farmácia mas vou outro dia, não posso demorar, não quero abusar da minha mãe. Deixa eu correr logo com essas compras. INFERNO não tem vaga, não sou mais gestante. Será que ainda pareço gestante? Dane-se estou com pressa vou na gestante, essa barriga engana. Será que ligo para ver se está tudo bem? Não, tudo bem, qualquer coisa minha mãe liga. Sono… Que sono! Falei voltava rápido. Não quero abusar, ela está me fazendo um favor. Couve, batata, carne, sabonete, ameixa, leite, corre corre corre… Cadê o azeite? Azeite… Azeite… Favor… Favor… E se o bebê ficar com fome? Dane-se o azeite! Não quero dar trabalh…AI MEU TELEFONE ESTÁ TOCANDO! Não, pera, não é meu telefone foi só impressão. INFERNO, fico ouvindo meu telefone tocar! Fila do caixa. Fila, fila fila… Tenho mais de 10 itens… POR QUE DIABOS NÃO SOU MAIS GESTANTE, recém-mães deviam ser preferencial, recém-mães deviam ser mais preferencial que velhos, recém-mãe é caso de URGÊNCIA. Anda logo com essas compras caixa lerda… Será que o bebê está bem? Sacola? Que sacola? Claro que eu não trouxe sacola, tanta coisa para fazer e eu vou ficar pensando em sacola? MEU TELEFONE. MEU DEUS AGORA É MEU TELEFONE! Será que tocou antes e eu não ouvi? Meu Deus, meu Deus! Alô! Que? Cartão de crédito? Não, não quero cartão de crédito, maldito. Será que minha mãe tentou ligar e não conseguiu? Será que eu ligo? Já estou voltando… Crédito ou débito? Tanto faz, passa a máquina que for mais ágil. Carro, carro, cadê a chave do carro. Cadê… TELEFONE! MEU TELEFONE!! Ah, não é. Joga às compras no carro, cuidado com o ovo. Será que se eu comer ovo o bebê vai ter gases? Nota mental: perguntar para a pediatra se ovo dá gases no bebê. Corre, corre… Que saudades do bebê! Mas estava com ele não tem nem uma hora! Cheguei, vou pegar só as coisas de geladeira e pego o resto depois! O bebê deve estar precisando de mim!

Que silêncio. Será que estão bem? Minha mãe lavou louça? Mas como? A casa está em ordem! Parece que está… É, parece que está…TUDO BEM!

“Mãe?”

“Silêncio filha, ele está dormindo desde que você saiu, uma paz. Quando precisar pode deixar que eu fico.”

 

 

 

Os livros sobre como educar nossos filhos

O pensamento das mulheres pode variar do literal a viagem mais distante e nada a ver em questão de segundos, característica que parece ficar ainda mais acentuada na gravidez e no período seguinte, quando nos tornamos mães. Tal condição acaba sufocando aquilo que dizemos ter de mais valioso: a intuição feminina.

Frequentemente escuto de amigas, quando não sou eu mesma que digo, a frase “eu li em tal livro que…”, nos referindo a algum dos inúmeros best-sellers direcionados a gravidez, maternidade e criação de filhos. Acho toda essa informação, inclusive os blogs e demais ideias que trocamos na internet muito válidas, desde que não ocupem um espaço maior que devem ocupar em nossas casas.

Um exemplo: lembro quando meu primeiro filho “despertou” para o mundo, deixou de ser o “bebê soninho” (como disse uma amiga), queria “ver a vida” e eu fiquei dias e dias sem saber o que era dormir mais que 2 horas seguidas. Aí, eu que já não estava boa do juízo, fiquei que nem barata tonta tentando “resolver” o problema. Aí mora o perigo. Por exemplo: você lê um livro que diz que o ideal é deixar o bebê chorando até dormir, outro diz que você deve pegar, acalmar e colocar novamente no berço, um terceiro defende o leito compartilhado, enquanto seu pediatra diz que é isso aí mesmo e uma conhecida conta que não pode te ajudar porque o bebê dela é um santo que dorme, sei lá, 12 horas por noite e não dá trabalho nenhum. Pronto. Confusão formada.

Aí, depois de muita confusão, consegui parar, respirar fundo e resolver do melhor jeito: o meu.

Como disse acima, livros e blogs são interessantes, mas muitas vezes não damos atenção ao que está escrito nas entrelinhas. Cada bebê é um bebê, fases existem e desde cedo te dão uma incrível lição sobre a maternidade: aprenda a lidar com o imprevisível e descubra o que funciona para a sua família. Eu li dois livros bem famosos: “Os segredos da Encantadora de Bebês” e o “Crianças Francesas não fazem manha” e num momento de desespero acabei comprando o “A Encantadora de Bebês resolve todos os seus problemas”. Resolvi guardar para mim apenas as dicas que cabem no meu cotidiano.

Uma rotina como a da Encantadora, em que o bebê acorda as 7h da manhã e dorme as 7h da noite, para mim não é interessante, pois assim ele mal conviveria com o pai e tentar fazer um bebê tirar uma soneca sem ele querer tirar uma soneca, só porque está escrito no livro que é a hora, pode ser realmente cansativo (eu tentei!). Também não moro na França e tampouco consigo ter o distanciamento das mães européias.

No fim, acredito que nos prendemos aos livros com o mesmo objetivo que temos ao adquirir coisas em excesso antes mesmo do bebê nascer: estarmos preparados. Sim, ajuda ter noção das coisas, ler dicas, tentar imaginar como será e como você vai reagir, mas a verdade é que nunca estamos 100% preparados e não há nada de errado com isso. Certamente você vai fazer o seu melhor em cada situação, e quando estiver cansado demais para fazer o melhor, também não tem problema. Colocar seu bebê para dormir com você uma noite porque você não aguenta mais levantar, não vai fazer de você uma mãe horrível com um filho problemático.

A fase do meu filho passou, ele mudou os hábitos de sono e dorme mais a noite e menos de dia, sem eu ter que fazer nenhum esforço para isso. Aprendi a lidar com ele mais acordado durante o dia. Criamos a nossa rotina sem que ninguém tivesse que dizer como está certo ou errado: ela simplesmente funciona para nós. Por enquanto!

 

Feliz Dia das Mães!

Esse post deveria ter subido ontem, mas subiu hoje e tudo bem, porque nós sabemos que Dia das Mães é todo dia!

Muitos de vocês, até os que não têm filhos, já devem ter escutado sobre a maternidade solitária. Ou sobre a maternidade julgadora, na rixa do “parto normal x cesárea”, “amamentação x formula”, “mães que dão doce antes dos dois anos e mães Bela Gil”. Mas hoje, eu queria falar sobre a maternidade que une.

A maternidade que une é aquela que faz você entender melhor sua mãe porque você é mãe. Une quando você se aproxima de pessoas que nem tinha tanta afinidade porque vocês estão no mesmo barco. Une quando sua amiga mãe pergunta mil vezes, com calma “o que você precisa?” quando te vê atrapalhada com o bebê. A maternidade que une quando uma estranha na padaria olha pra você constrangida porque o filho está chorando e você acena com a cabeça e diz só para que ela faça a leitura labial “eu sei como é, relaxa”, une quando um monte de mães desconhecidas te ajudam com seus trambolhos no elevador do shopping, une em desabafos de madrugada pelo WhatsApp, une quando você ignora que o filho de outra pessoa está fazendo birra em público. Une em oração quando o filho de uma, por mais que seja uma conhecida distante, está doente.

Feliz Dia das Mães para vocês, manas. Obrigada por me ajudarem a ser a mãe que eu sou!

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Eu mereço?

Esses dias eu fiquei nervosa. Muito desse nervoso tem a ver com a famigerada TPM. Comprei calmantes fitoterápicos, tipo Maracujina, para dar conta dos meninos sem engolir eles como um Bergen do filme Trolls. Não funcionou. Foi uma semana desgastante sem que nada de extraordinário estivesse acontecendo.

Ainda sob efeito da intensa semana, que inclusive começou com os meninos doentinhos e sem dormir direito, me peguei procurando ajuda profissional. “Vou logo pro psiquiatra, porque meu caso é de remédio”. Não tenho nada contra ajuda profissional, inclusive estava procurando uma. Mas então parei, e fiz o que sempre faço quando tenho esse intenso encontro comigo mesma: escrevi. Não esse post, escrevi aleatoriamente até chegar a uma conclusão.

Já escrevi e vivo lendo textos sobre como nós, mães, temos que nos absolver de culpas e neuras. Isso é bom, é um exercício de sanidade, mas e se dermos atenção para esses chamados de vez em quando? Talvez eu estivesse dando muita voz ao meu lado egoísta, querendo que meu bebê tivesse o ritmo do mais velho. Querendo que o mais velho, que não tem nem 4 anos, tivesse o ritmo de um adulto.

“Eu mereço” é uma premissa arriscada. Se você começa a utilizá-la frequentemente, você corre riscos de só merecer a si mesmo e mais ninguém.

“Agora não quero filho me incomodando, quero ficar em paz, eu mereço”.

E deixa os filhos cada vez mais de lado.

“Eu mereço”.

E um dia deixa pular o jantar porque eles estão bem e você está muito cansada, ou vai deixando cada vez mais com a babá, ou com os avós, porque você está trabalhando demais e o pouco tempo que tem quer ficar em paz, quer encontrar os amigos.

“Eu mereço”

Porque eu sustento essa casa e não quero criança me chateando quando eu chego.

“Eu mereço”

Porque tem dias que não quero ser mãe mas não tem um dia que eles não queiram ser filhos

“Eu mereço”

E quando você vê, nem lembra por que teve filhos ou o que imaginava quando eles ainda não existiam.

Você merece, você merece muita coisa, assim como seus filhos.

Se mereça com eles, preste atenção quando te chamam, acalma o seu coração porque eles não merecem a falta de equilíbrio por um egoísmo que não estão acostumados já que para eles tudo se resume a afeto e amor.

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