Me deixa ser mãe 

Num dia simbólico como hoje, eu digo: me deixem maternar! Me deixem ser mãe! Assim como cozinhar, esquiar, dançar, sabemos maternar! Me deixem errar, acertar, pegar no colo, deixar chorar! Me deixem perder a paciência, mimar, fazer papinha orgânica e dar chocolate. ! Me deixem exagerar na bronca, na brincadeira, no amor, no grito! Me deixem optar pela babá, pela escola, por ficar em casa, por ficar com as avós! Me deixem maternar! Me deixem parir, de cócoras, de quatro, com corte, com anestesia, sem anestesia, agendado, inesperado! Me deixem amamentar, em público, em casa, com paninho, sem paninho, com mamadeira, sem mamadeira! Me deixem ter preguiça, de tirar fraldas, de ensinar a dormir, de controlar a TV. Me deixem engordar, malhar, dormir.

Me deixem reclamar, me gabar, amar, me cansar, fazer drama, me desesperar, cobrar, me orgulhar! 

Mesmo não sabendo, sabemos. Sabemos maternar. Nos deixem maternar! 

  

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O que perguntar na primeira visita ao pediatra

No primeiro ano de vida você leva seu bebê ao pediatra em média 10 vezes. Parece muito (certamente é mais do que você vai ao cinema), mas a verdade é que muitas dúvidas surgem nesse período, e além das consultas, certamente você vai usar muito o Whatsapp e o telefone! Meu pediatra, meu melhor amigo! ❤

Desde o momento que saímos da maternidade a orientação é que se espere de 1 semana a 10 dias até a primeira consulta. A não ser que esteja acontecendo algo fora dos padrões, tente esperar esse período. Só assim você terá material suficiente para levar ao médico e ele terá dados comparativos, por exemplo, se o bebê ganhou ou perdeu peso.

 

  1. Saiba o que esperar

Ao contrário das sus consultas na vida e na gravidez, a consulta com o pediatra é bem menos “física” e mais conversação. Durante o primeiro ano ele deve te orientar sobre amamentação, alimentação, rotina do bebê, o que fazer quando eles choram, hábitos de sono, sua relação com o bebê e marcos de desenvolvimento.

 

  1. Faça uma lista

Você já deve ter escutado essa dica, mas é importante frisar. Durante todo o período pré-consulta faça uma lista com dúvidas, desde as mais importantes até as mais simples como “o bebê da minha amiga faz X coisa e o meu ainda não, é normal?”.

 

  1. Não seja uma escrava da “agenda da rotina”

Especialmente nas primeiras semanas, alguns pais podem ficar obcecados em anotar tudo que foi feito com o bebê durante o dia. O horário que o bebê foi alimentado, quantas vezes fez xixi ou cocô, a hora exata das sonecas, a que horas foi dormir e quando acordou, enfim… Se funciona para você, ok, continue fazendo, mas dificilmente o seu pediatra vai pedir esse “relatório”. Eles precisam de fatos gerais e não de uma planilha de Excel dizendo quantos ml seu bebê mamou.

   

 

  1. Não fique obcecada com a Curva de Crescimento

Olha, essa você pode imprimir e colar pela casa, porque o mais comum é que mães e pais fiquem enlouquecidos com o ganho de peso dos seus bebês. Nos primeiros 6 meses o pediatra deve observar se o percentil está onde deveria estar: se a cabeça e a altura estão em torno do percentil 50. Mesmo se seu filho for maior ou menor, desde que o desenvolvimento seja constante, geralmente não há nada para se preocupar. Vale considerar o tipo físico dos pais: dificilmente um casal franzino, terá um bebê gigante. E vice-versa.

 

  1. Você pode responder (educadamente!)

Com a maioria das coisas – como hábitos de sono e rotinas – você não precisa fazer se não quiser. Um bom pediatra não se julga o dono da verdade, ele está lá para te orientar. Então, se ele propõe uma rotina que não funciona para você, questione e explique como seria melhor. Se ele diz que está na hora do desfralde e você sente que ainda não é o momento do seu filho, escute as orientações, mas execute quando achar apropriado e diga: “Vou incentivá-lo, mas acho que ele não está pronto”.

 

  1. Cheque as informações do Dr. Google

Temos um grande acesso a informação graças a internet e o grande problema nesse tanto de informação, é saber o que é verdade e o que é mito. Certamente você deve abordar com seu médico as coisas que leu na internet. “É verdade que o Zika surgiu após um lote de vacinas vencidas?” “Se eu comer um hambúrguer do Mc Donalds, o gosto passa pelo leite?”, entre outras coisas. É como eu sempre digo: logo ao engravidar você deve “eleger” no máximo três pessoas para ouvir. Exemplo: sua amiga que você admira como mãe, sua avó e seu médico (e posteriormente, o pediatra).

 

  1. Você não precisa “provar”.

Se o seu bebê está fazendo um barulho estranho com a boca, ou chora demais em determinado momento, não se preocupe se ele não agir assim na consulta. Seu pediatra vai aceitar sua palavra e provavelmente ele já se deparou com um caso parecido. Se for algo muito específico, você pode filmar e mostrar durante a consulta.

 

  1. Bloco de notas

Anote ou peça para seu médico anotar as principais dicas e orientações. Também peça um “adiantamento” do que pode acontecer ao longo do próximo mês. Exemplo: “Agora começam as cólicas” ou “Provavelmente nesse mês ele pode perder um pouco de peso já que vamos começar a introdução alimentar”.

 

Por fim, se você não estiver feliz com seu pediatra, troque. E troque de novo até acertar, sem crise. Pode acontecer do pediatra que sua amiga AMA, não ser a melhor escolha para você.

Gostaram do post didático? Às vezes eu falo sério, estão achando que Consejo é só bagunça?

  

Vale a pena ser mãe?

Quando se trata de expor a maternidade real eu sou a primeira a falar sobre o assunto. Muita gente se diverte comigo nas redes sociais por isso. É claro que se trata de uma experiência totalmente pessoal e há momentos em que amamos ser mãe e outro momentos que só queríamos parar o mundo e descer. Então, na realidade eu queria fazer esse texto há tempos, e acho que os “desafios” da última semana me deram o empurrãozinho que faltava.

Você gosta de ser mãe?

Bicho, eu transformei meu blog pessoal em um blog sobre maternidade, então o que você acha? Piadas a parte, eu amo ser mãe, com todas a suas mazelas e reclamações. É uma transformação profunda e por diversos momentos quando meu primeiro filho nasceu eu pensei estar com algum problema. Sofri com o baby blues nos dois pós-partos. Nesse ponto o blog foi essencial, pois coloquei aqui muito do que estava passando.

Ser mãe é a viagem mais louca da minha vida, com todos esses clichês, e ainda assim eu não consigo imaginar nenhum outro cenário em que minha vida seria melhor, sem meus filhos. Na realidade às vezes me pego pensando como vivi tanto tempo sem eles e o que eu fazia da minha vida. É como vi o Johnny Depp (que amamos!) falando há anos, antes mesmo de ser mãe: é como se tudo estivesse embaçado e de repente tudo se tornasse nítido e colorido. É disso que se trata a vida.

É a renovação da família. Já não tenho avós há alguns anos, vejo meus pais envelhecendo, meu marido e eu envelhecendo, nossos irmão envelhecendo, os cachorros envelhecendo. Então vem a vida e se renova. E traz toda uma onda de renovação para aquela família. Em meio a tantos problemas de adulto, há leveza.

De repente você quer se tornar uma pessoa melhor, quer comer melhor, evoluir e por incrível que pareça e por mais difícil que seja, tudo começa a fluir melhor. Você faz acontecer.

No fim do dia é como eu sempre falo: sabe aquela apresentação motivacional de PowerPoint que diz:

“Se hoje tivesse sido o último dia da sua vida, teria valido a pena?”

Posso dizer, antes de ter filhos seriam poucos os dias que teriam valido a pena. Desde que meu primeiro filho nasceu, com toda a loucura e complexidade que envolve ser mãe, SIM, todos os dias valem a pena. Todas as noites eu fecho os olhos e penso: “Quero acordar amanhã, mas se eu não acordar, teria sido um bom último dia?” E a resposta sempre é: sim, teria.

P.S: Eu não sou do tipo que acha que toda mulher tem que ser mãe, que mulher nasceu para isso e que sua vida está perdida se você não os tiver. Acho que é possível ter uma vida completamente plena e feliz sem filhos. É PERFIL. Comigo foi assim e torço pela paz de espírito das mulheres que estão passando por dificuldades nessa trajetória.

 

Carta para as visitas

Querida visita,

Estou muito feliz que você queira conhecer o meu bebê, entregar um presentinho e me ver mãe. É realmente a transformação mais incrível que você pode presenciar. Mas veja, nem tudo tem sido tão fácil para mim.

Realmente, ter um bebê é algo especial. Parir, seja de uma forma ou de outra, exige um período de recuperação e, na realidade, tenho pouco tempo para me recuperar. Esse novo universo me consome por inteiro .

Basicamente meu sono é picado e meus dias e noites se misturam em um ciclo sem fim de mamadas, trocas de fraldas, banhos, cólicas, preocupações e aprendizados e mesmo que eu já tenha passado por isso antes, devo lembrá-lo que esse é um novo bebê e portanto uma nova situação.

Ainda assim, pode me fazer bem ver alguém diferente, já que não temos saído muito. Nesse caso peço que lembre-se de todo o processo que estou passando. Posso não estar na minha melhor forma, e minhas olheiras enormes fazem parte dessa nova vida. Por favor tente não me lembrar disso. Minha casa pode estar um pouco bagunçada e não estranhe se água for a única coisa que eu te oferecer. Também não me julgue se eu te deixar mais de uma vez para amamentar. Esse processo exige certa atenção principalmente no começo. E por favor, não julgue se meu bebê é bonzinho ou não. Às vezes ele pode estar num mau dia. Lembre-se: estamos nos conhecendo.

Falando em “maus dias”, por favor entenda caso eu desmarque a sua visita mais de uma vez, ou até mesmo que demore para marcá-la. Eu sei, querida visita, que você trabalha e às vezes quer vir depois do trabalho. Infelizmente esse não é um bom horário para nós. A noite, tanto eu quanto meu bebê já estamos bem cansados e acredite: 8 horas da noite já é bem tarde para nós. Ainda sobre horários, sei que tem seus compromissos e o trânsito nem sempre colabora, mas tente não se atrasar. Acontece que, enquanto te esperava, poderia estar dormindo.

Não estamos mais na maternidade, mas é como se estivéssemos. É preciso respeitar horários e certos princípios que certamente sua educação oferece.

No mais, cara visita, sua presença é bem-vinda, se não agora, em outro momento. Preciso de um abraço, de ouvir as notícias do mundo lá fora, de escutar novamente que meu bebê é lindo.

Espero que entenda que não “fiquei chata” depois que virei mãe. Em breve estarei de volta e quando vier aqui poderemos conversar até de madrugada ou até quando o vinho acabar.

Um abraço,

Sua amiga que acabou de ser mãe

Fazendo as pazes com meu parto

Estou para fazer esse post há algum tempo e hoje me pareceu o momento propício pelo seguinte: o Facebook me mostrou nas lembranças que há  exatamente 1 ano eu postei um texto não autoral com a legenda “Já fiz cesárea, não faço de novo”. Ironias da vida, na época eu nem grávida  estava. Acabou que engravidei novamente e sim, fiz outra cesárea.

Pela introdução você já pode imaginar que na minha primeira cesárea sofri muito na recuperação e já falei isso aqui. O sofrimento físico foi superado, porém ficou a sensação de impotência, a impressão que eu deveria ter “lutado” mais pelo meu parto, que a cesárea havia sido desnecessária. Passei a ser a maior “ativista” do parto normal.
Daí você pode imaginar o tamanho da minha decepção quando, em meio ao meu NÃO trabalho de parto apesar de ter feito tudo que podia durante horas, a médica sugeriu a cesárea. Eu chorava tanto que ela disse que não me levaria para o centro cirúrgico enquanto eu não me acalmasse e então ouvi um daqueles grandes conselhos da minha vida vindo da minha mãe.

Ela frisou como estávamos em um momento maravilhoso das nossas vidas, como eu estava saudável, dando a luz a um bebê saudável, como aquele deveria ser um momento feliz das nossas vidas e que eu não deveria estragar isso colocando nós dois em risco ou simplesmente permeando a tristeza e a frustração nesse momento. Meu bebê não merecia isso. Eu não merecia isso. 

No fim do dia, a cesárea me salvou e salvou o meu bebê. Por que? Não interessa. Por que não interessa? Eu concordo que temos cesáreas desnecessárias, cesáreas agendadas sem motivo plausível, que o parto normal tem esse nome não é a toa e a informação deve ser difundida. Acho maravilhoso essas mulheres tão empoderadas que tem seus bebês em casa e não titubeiam mesmo quando o processo não é rápido ou simples. Mas algumas coisas podem ser muito piores para uma mulher se recuperando de uma cesárea que o corte.

Então, o que muda na sua vida saber sobre o meu parto? Tem pessoas que antes de perguntar se a mãe e o bebê passam bem, perguntam se foi “normal ou cesárea”. Talvez seja daquelas perguntas que fazemos sem interesse na resposta, mas a mãe que está ali já responde “foi cesárea” e em seguida descreve a situação, quase como quem pede desculpas.

Depois de dois anos e meio e dois filhos, pude fazer as pazes com meus partos. Meus filhos estão ótimos, saudáveis, assim como eu. Não acredito que perdi tanto tempo me sentindo mal pelo parto do meu primeiro filho, não acredito que dei para isso uma importância maior que deveria ter.
Se você se sente assim, liberte-se e olhe para o seu filho. Ele veio ao mundo e trouxe o maior amor que você já sentiu e esse amor é tão sublime que não depende de parto para nascer.
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