A moda da barriga sarada pós-parto

A nova moda é postar uma foto grávida de roupa de ginástica e depois ao lado com a mesma roupa, o bebê novinho e a barriga chapada. Aí falam que é inspiração para outras mulheres, que é apenas amamentação e boa alimentação, que não engordou muito na gestação. Que legal! Bom pra você!

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Eu tenho preguiça. Tive dois filhos e até fiz um bom trabalho com a minha barriga depois deles, e de fato amamentar foi a melhor dieta que fiz na vida, porque comia como um menino de 18 anos de luta jiu-jitsu e emagrecia mesmo assim, mas me compadeço pelas mulheres que estão lá com seus bebês recém-nascidos, checando o Instagram em madrugadas intermináveis, tendo que lidar com imagens de barrigas pós-parto saradas enquanto mal conseguiram assimilar todo o novo universo que se apresenta com a chegada do bebê. Desculpem, isso não é inspiração, é bullying.

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Meu recado não é para você que posta a foto com a barriga sarada. Faça o que você quiser. O meu recado é para você que está se sentindo (ainda mais) feia porque tem sua timeline invadida de fotos “inspiração”: se você teve um bebê e ele está saudável, se você está saudável, então você e sua barriga fizeram um ótimo trabalho até agora. Se a sua barriga vai ficar negativa, sarada, trincada, isso é questão de tempo e de vontade. O mundo é muito maior que a sua barriga, e seu bebê está aí para provar isso.

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Células-tronco e os dentes de leite

Sei que a célula-tronco pode ser essencial no tratamento de diversas doenças degenerativas. Fato é que eu não coletei as células-tronco do cordão umbilical dos meninos quando eles nasceram, simplesmente porque já estávamos lidando com tanta coisa que ainda considerar se coletava ou não e já começar a vida do bebê com esse custo fixo, me parecia um pouco incerto.

Aí, na última semana estive na Dezoito Kids para conhecer as últimas novidades de várias marcas para o Dia das Crianças, e lá tivemos uma palestra do Dr.  Nelson Tatsui, Diretor-Técnico do Grupo Criogênesis e Hematologista do HC-FMUSP. Ele explicou que o diferencial da células-tronco do dente de leite é que elas são do tipo mesenquimal. Estas células têm a capacidade de, em laboratório, se transformar em uma variedade de outras células destinadas a reparação de tecidos. Além disso, por serem muito jovens, multiplicam-se com mais velocidade. Seu potencial é tão grande que apenas um dente já é suficiente para que as células se estabeleçam em cultura.

Mas só o dente de leite tem as células tronco? Não! Também no evento, o Dr. Gabriel Politano, responsável pela área de células-tronco da polpa do dente de leite da Criogênesis, explicou que todos os dentes, incluindo os permanentes, tem a célula-tronco, PORÉM não são tão ricos porque as células que têm ali já são mais velhas ou já podem ter sofrido alguma interferência externa. Além disso, por se tratar de um processo natural, pois a queda do dente ocorre na maioria das crianças entre 5 e 12 anos de idade, o momento da coleta é indolor.

Sem Fada do dente

Apesar da Fada do dente ser um personagem comum no imaginário das crianças, a coleta do dente de leite deve ser feita por um dentista, isso porque as células-tronco são retiradas da polpa do dente – aquele pedacinho de carne que está grudado no dente. O material deve ser acondicionado em um kit específico de transporte e enviado imediatamente à clínica de armazenamento. Caso o dente venha a cair antes da consulta, é necessário que a família possua o kit de transporte. Ou seja: NÃO adianta guardar o dente em casa, numa latinha!

Mas e quanto custa essa “brincadeira”?

Não, você não tem que vender um rim para coletar um dente. Para realizar o procedimento, o custo é de cerca de R$ 2.000 pela coleta das células e uma anuidade que varia de R$ 300 a R$ 400 para a conservação delas. “Mas e se a clínica que eu coloquei fecha daqui 10 anos?”. Eles também explicaram que, por contrato, a clínica deve encaminhar para outra clínica, mas claro, é bom pesquisar bem antes de escolher uma.

Os interessados em informações sobre a extração do dente para a coleta de células-tronco podem se informar pelo e-mail gabriel@clinicapolitano.com.br ou pelo 0800 773 2166.

* Isso NÃO É JABÁ! É informação útil que vale ser compartilhada.

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Como é mesmo? Desculpe o transtorno? 

Nos últimos dias muito se falou sobre querer um amor assim ou assado. Se foi publi, se não foi publi. Se foi golpe, se não foi golpe. Se é Rafinha ou Duvivier. Também quero surfar essa onda porque há tempos quero escrever um texto sobre o amor tranquilo. 

Tenho amigas, já maduras, que começaram novos relacionamentos recentemente. “Ah, estou levando um dia de cada vez”, “Ah, é legal, mas não estou assim enlouquecida por ele sabe, estou tentando me acostumar”. “Ah, passei muito tempo sozinha, não sei se isso está me atrapalhando”. Pois vou te contar uma coisa: o amor só é enlouquecedor em música, filme ou quando não pode ser vivido. 

O amor de verdade, aquele que você vive, não te enlouquece, ele te acalma. No amor de verdade não há ciúmes incontrolável porque simplesmente não existe a possibilidade da pessoa não estar ali. O amor de verdade não é avassalador, é constante. 

Quando conheci meu marido, confesso que não senti uma paixão avassaladora de adolescente (até porque eu não era adolescente), mas fomos saindo, vivendo, deixando levar e quando percebi, não conseguia mais viver sem ele. Era divertido estar com ele. Era essencial. É essencial. Às vezes eu me sinto tão “nós” que penso “e se não for para sempre assim?” E então me acalmo pensando que não há amor pela metade. Só há amor inteiro. 

Quando você está há algum tempo com alguém, existem momentos incríveis e inesquecíveis e momentos normais. É preciso saber viver os momentos normais como o que são, momentos normais, e não crises. Um relacionamento não precisa ser feliz e incrível o tempo inteiro e nem tudo precisa ser discutido. Às vezes é só esperar passar. 

Em 7 anos de casamento é claro que já passamos por crises, mas quer um sinal que seu relacionamento não acabou? Vocês fazem mais coisas juntos que separados. Às vezes você não quer olhar na cara da pessoa mas estão ali, no aniversário da tia avó. Quando acaba, minha gente, não há evento familiar que mova, porque simplesmente não há interesse na vida do outro, e se não há interesse em estar junto, não há amor. 

No mais, chega uma hora que você já viveu grandes paixões, grandes tesões, grandes emoções e só quer, no fim do dia, alguém para ficar em silêncio assistindo novela com você. 

O que eu invejo em quem não tem filhos 

Já li textos de mães que diziam ter saudade dos tempos que não tinha filhos e podiam sair para onde quisessem na hora que quisessem e até ouvi gente perguntando se eu não tinha inveja de quem pode ir pra balada livre, leve e solto sem se preocupar com filhos. Sabe o que eu invejo de verdade? Quem sai do carro rápido. Tipo, cheguei junto com um vizinho meu e quando olhei ele já tinha subido, simplesmente saiu do carro e foi enquanto eu: tirava cadeirinha do carro, tirava o bebê do carro, montava o carrinho, pegava o mais velho, tirava ginásio de atividades, mochila do bebê, mochila do Guga, pacote novo de fraldas, juntava minhas maquiagens que caíram no chão nesse meio tempo, fechava o vidro que o Guga abriu, desligava o pisca que o Guga acendeu, pegava minha bolsa e casacos, casacos, casacos e mais casacos. Tipo: “Oi Antonia, o que você  fez hoje?” “Ah, hoje foi muito cansativo, tirei coisas do carro”.

Absolva a sua mãe – ela já tem culpas demais

Às vezes bate um desespero. “Nunca mais tive férias!”. “Nunca mais fiquei sozinha em casa!”. “Nunca fiquei 24h sem filho”. E parece que quanto mais você precisa de um respiro, MENOS respiro os seus filhos te dão. E você chega perto de um ataque nervoso mas se lembra que não pode surtar porque têm pessoas que precisam de você, e precisam de você inteira.

E aí você sofre. Pensa que seus filhos são amorosos e saudáveis, que sua vida é ótima, que as pessoas te ajudam e você não deveria se sentir assim. Sofre porque não pode estar inteira. Porque QUER estar inteira e não consegue. Pensa que vai fazer mais por eles. Que vai buscar ajuda profissional para ter mais paciência. Que não vai surtar. Que vai conseguir lidar. Que vai fazer a hora da brincadeira para estimular o bebê. Que vai deixar o bebê com alguém para conseguir sair sozinha com o mais velho. E então você acumula MAIS. Mais funções. Mais coisas. Mais sentimentos. E a bola de neve cresce, porque no fim do dia você não vai conseguir ser mais, oferecer mais – você já é o máximo que pode ser.

Veja bem, a cobrança da sociedade, a cobrança cultural, a cobrança do mundo para ser uma boa mãe existe e talvez faça tão mal justamente por ser totalmente desnecessária. Falo isso frequentemente: nasce uma mãe, nasce a culpa. Parece que a colocam dentro de nós no lugar da placenta. 

Eu não tenho como não romantizar o conceito de mãe para o meu bebê. Não tenho como convencer uma criança que a mãe é humana e cheia de falhas e contradições. Mas se você é adulto ou tem um mínimo de discernimento, absolva sua mãe das culpas. Ela já carrega muitas.

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