Carta para as visitas

Querida visita,

Estou muito feliz que você queira conhecer o meu bebê, entregar um presentinho e me ver mãe. É realmente a transformação mais incrível que você pode presenciar. Mas veja, nem tudo tem sido tão fácil para mim.

Realmente, ter um bebê é algo especial. Parir, seja de uma forma ou de outra, exige um período de recuperação e, na realidade, tenho pouco tempo para me recuperar. Esse novo universo me consome por inteiro .

Basicamente meu sono é picado e meus dias e noites se misturam em um ciclo sem fim de mamadas, trocas de fraldas, banhos, cólicas, preocupações e aprendizados e mesmo que eu já tenha passado por isso antes, devo lembrá-lo que esse é um novo bebê e portanto uma nova situação.

Ainda assim, pode me fazer bem ver alguém diferente, já que não temos saído muito. Nesse caso peço que lembre-se de todo o processo que estou passando. Posso não estar na minha melhor forma, e minhas olheiras enormes fazem parte dessa nova vida. Por favor tente não me lembrar disso. Minha casa pode estar um pouco bagunçada e não estranhe se água for a única coisa que eu te oferecer. Também não me julgue se eu te deixar mais de uma vez para amamentar. Esse processo exige certa atenção principalmente no começo. E por favor, não julgue se meu bebê é bonzinho ou não. Às vezes ele pode estar num mau dia. Lembre-se: estamos nos conhecendo.

Falando em “maus dias”, por favor entenda caso eu desmarque a sua visita mais de uma vez, ou até mesmo que demore para marcá-la. Eu sei, querida visita, que você trabalha e às vezes quer vir depois do trabalho. Infelizmente esse não é um bom horário para nós. A noite, tanto eu quanto meu bebê já estamos bem cansados e acredite: 8 horas da noite já é bem tarde para nós. Ainda sobre horários, sei que tem seus compromissos e o trânsito nem sempre colabora, mas tente não se atrasar. Acontece que, enquanto te esperava, poderia estar dormindo.

Não estamos mais na maternidade, mas é como se estivéssemos. É preciso respeitar horários e certos princípios que certamente sua educação oferece.

No mais, cara visita, sua presença é bem-vinda, se não agora, em outro momento. Preciso de um abraço, de ouvir as notícias do mundo lá fora, de escutar novamente que meu bebê é lindo.

Espero que entenda que não “fiquei chata” depois que virei mãe. Em breve estarei de volta e quando vier aqui poderemos conversar até de madrugada ou até quando o vinho acabar.

Um abraço,

Sua amiga que acabou de ser mãe

O seu bebê não te julga

Uma vez uma outra amiga me falou uma frase que mudou a forma como eu exercia a maternidade: independente de quem te julga – se você mesma, se os familiares, os amigos, os desconhecidos, a mídia ou o mundo – saiba que O SEU BEBÊ NÃO TE JULGA.

O seu bebê não te julga porque você queria parto normal e teve cesárea.

O seu bebê não te julga porque você não o que fazer com aquele ser totalmente dependente de você. Ele não acha que você deve saber o que fazer porque virou mãe, que essa é a maior dádiva do mundo e portanto você deve se sentir BEM e SEGURA.

O seu bebê não te julga porque você checa se ele está respirando enquanto dorme, se confirma a cada 10 minutos se ele está com frio ou calor, se coloca a babá eletrônica no volume máximo enquanto está acordada e ele dorme no seu apartamento de 50m.

O seu bebê não te julga quando você está sofrendo pelos desafios da amamentação, pelo resguardo, a oscilação hormonal, o corpo pós-parto ou se às vezes você chora sem motivo.

O seu bebê não te julga porque você ainda não entendeu muito bem a nova configuração de família: seu cônjuge o pai, sua sogra e sua mãe as avós, os irmãos como tios, seu pai e sogro como avôs e principalmente, você como MÃE.

O seu bebê não te julga porque você não sentiu uma conexão imediata, afinal, vocês se conheciam muito bem enquanto ele estava dentro de você, mas agora ele também deve passar por uma nova configuração de VIDA, de AMBIENTE e o VÍNCULO é algo que vem com o tempo.

O seu bebê não te julga porque o instinto materno é simplesmente um sentimento que te impede de ir embora e largar tudo em momentos desesperadores, mas ele não te ensina a amamentar, a dar banho ou identificar choros.

O seu bebê não te julga se você não está “FELIZ” o tempo todo. É totalmente normal em alguns momentos se sentir insatisfeita e entediada com a nova vida que se apresenta. O preenchimento de vida e amor que os filhos trazem e todos falam EXISTE, mas ele surge com o tempo, com a balança que vai se ajustando com o passar dos dias.

O seu bebê não te julga se você não está na sua melhor forma 20 dias após o parto, se não lavou o cabelo hoje e se não faz a unha há 3 semanas.

O seu bebê não te julga se às vezes você fica o encarando por horas a fio e sentindo cada “centímetro” do cheiro dele.

O seu bebê não te julga. Você está ali e é isso que importa.

2013-06-04 15.56.29-2

As respostas da mãe sutil

Quando uma pessoa consegue um emprego novo, você diz “parabéns!” ou diz coisas tipo “Espero que seu chefe seja legal, porque já viu né, quase todo mundo tem problemas com chefes” ou então “Será que você vai conseguir cumprir a carga horária? Puxada hein, sempre falam que é um certo horário mas depois você não tem hora para sair” ?

Se você é uma pessoa com um mínimo de noção certamente diz apenas “Parabéns, boa sorte”. Então por que quando se trata de pais e mães, especialmente os novos pais e mães, as pessoas têm um mórbido prazer em fazer terrorismo? Ou mesmo que seja um fato (tipo ficar um bom tempo sem dormir depois que o bebê nasce), pra que ficar repetindo isso a cada 5 minutos e ainda com um sorriso de canto de lábio? Uma amiga sabiamente apelidou essas pessoas de “Cavaleiros do Apocalipse”, que ficam anunciando a todo momento que “o fim está próximo”.

Por isso, me inspirei para fazer esse texto descontraído com tudo que gostaríamos de responder para essas pessoas. Gostaríamos, mas não vamos porque somos pessoas educadas praticando o desapego:

Situação 1

Pessoa: Você já sabe que depois que nascer não vai mais dormir né? Aproveita pra dormir porque bebê dá um trabaaaaalho.

Mãe: Anfetamina.

Pessoa: Oi?

Mãe: É, anfetamina, ouvi dizer que é bom, dá uma segurada no sono. Misturar com vodka e energético então, é uma beleza.

Situação 2

Pessoa: O bebê está chorando, será que não está com fome? Acho que é fome hein… Certeza que não é fome?

Mãe: Pois é, deve ser, pode resolver isso pra mim?

Pessoa: Eu? Como? Mas eu não amamento!

Mãe: Poxa, então que pena… Você também não serve pra nada hein, tá fazendo o que aqui se não consegue nem ajudar alimentando a criança?

Situação 3

Pessoa: O bebê está chorando, será que não está com fome? Acho que é fome hein… Certeza que não é fome?

Mãe: Você não ouviu falar ? Por conta dos altos índices de obesidade, agora o indicado é alimentar a criança só 2 vezes por dia, que nem cachorro. E também temos que racionar a comida do mundo, que está acabando. Assim já acostuma desde cedo.

Situação 4

Pessoa: Nossa, bebê dá muito trabalho porque _________________________ (insira aqui o sinal do Apocalipse de sua preferência.

Mãe: Verdade… Você conhece alguém que queira?

Pessoa: Queira o que?

Mãe: Meu bebê. Não tinha pensado em nada disso, mas agora que você falou… Tá tarde pra tirar né, melhor achar alguém para dar. Vender talvez. Sabe quanto tá custando um bebê por aí?

Situação 5

Pessoa: Nossa, mas agora com dois filhos, você vai ficar maluca né?

Mãe: Não não… Rivotril.

Pessoa: Oi?

Mãe: É, Rivotril. Um pouco no leite dos dois e é uma maravilha, ficam calminhos. O pequeno mama no peito, aí eu já tomo também, aí passa pro leite e fica todo mundo tranquilo. Uma paz só, você precisa ver.

Situação 6

Pessoa: Mas vem outro menino? Vocês não vão tentar a menininha? Tem que tentar a menininha hein…

Mãe: É, vamos tentar sim e não tem problema se vier outro menino. Nós vamos criá-lo usando vestidos e com cabelos longos e chamá-lo de Natália.

Situação 7

Pessoa: Luiz Gustavo e Bruno são nomes bonitos mas não têm muito a ver um com o outro né?

EU: Pois é, nós pensamos em Pedro & Bino mas achamos que daria muito trabalho mudar o nome do mais velho, então ficou assim mesmo…

Situação 8

(Sobre medidas de segurança)

Pessoa: Na minha época não tinha nenhuma dessas frescuras e todo mundo sobreviveu, olha eu aqui…

Mãe: Pois é, mas o índice de acidente e mortalidade infantil caiu muito desde que tal medida foi adotada, para isso muitas crianças tiveram que se acidentar ou morrer… Sorte que você não fez parte das estatísticas né? Sorte? Pera…

Situação 9

Pessoa: Não sei pra quê fazer festa de um ano, dá um trabalhão e a criança não aproveita e nem vai lembrar!

Mãe: Não diga nada. Espere o dia da festa, não convide a pessoa e depois diga que achou desnecessário convidá-la porque afinal, ela não ia aproveitar. Mas que seu (sua) filho (a) aproveitou horrores.

Situação 10

Como eu disse, somos pessoas educadas e não faremos nenhum dos absurdos citado, apesar da vontade. Mas eu, que venho aprendendo cada dia mais a apertar aquele botãozinho do F, já respondo para alguns:

-Certo, e a sua sugestão qual é?

Geralmente ficam me olhando com cara de “oi?”. No fim, é aquela máxima, se você não tem nada gentil para dizer, não diga nada!

que-maravilha-estou-grvida-que-comecem-os-conselhos-no-solicitados-e-toques-inapropriados-na-minha-barriga-22da4