Ser mãe é: 20 coisas que aprendi com a maternidade

Sou mãe há 2 anos e 9 meses. Nesse pouco tempo pude ter uma vaga ideia do que é ser mãe e quero compartilhar com vocês (e pedir que complementem, é claro!)
Ser mãe é:
1. Sentir saudades do seu filho quando ele está dormindo;
2. Não conseguir assistir um filme sem dormir;
3. É estar quase sempre em dúvida mas agir como se tivesse certeza;
4. Ficar ainda mais cansada nos finais de semana;
5. Deitar a noite repassando mentalmente EU POSSO DORMIR, EU POSSO DORMIR, EU POSSO DORMIR…
6. Sofrer lavagem cerebral e só pensar nisso, ler sobre o assunto, conversar sobre ser mãe, participar de um blog sobre filhos…
7. Usar o Hipoglós (ou Bepantol) do filho nas olheiras;
8. Virar cantora e compositora de músicas infantis (ou nem tanto…)
9. Aprender a comer comida fria;
10. Descobrir que muitos dos “problemas” que você tinha antes não eram realmente problemas;
11. E descobrir que muitos dos seus problemas atuais podem ser resolvidos com apenas algumas horas de sono;
12. Confirmar o que você já desconfiava: o sono não é cumulativo e portanto não adiantou nada quando as pessoas te falavam “aproveita pra dormir”
13. Visitar o fraldários de todos os lugares (mesmo SEM estar com o bebê);
14. Ficar indignada com a situação das calçadas da cidade;
15. Saber que aquela frase “Quando você tem todas as respostas vem a vida e muda todas as perguntas” é incrivelmente real;
16. Admirar ainda mais as mães que você conhece;
17. Chorar. O tempo inteiro… Por qualquer coisa;
18. Achar 20h muito tarde para sair de casa;
19. Descobrir as inúmeras utilidades do carrinho de bebê que vão além do passeio na rua – tipo, você pode levá-lo ao banheiro com você…
20. Se sentir culpada por querer um tempo sozinha;
BÔNUS: Amar. Hoje mais que ontem e amanhã mais que hoje.
*Texto originalmente publicado no blog Colcha de Retalhos
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Um relato sobre o aborto espontâneo 

Esse post está no meu “banco de pautas” desde que o blog existe, mas nunca tive muito ímpeto em escrever sobre, simplesmente porque não acho que existam palavras suficientes para amenizar a dor do aborto espontâneo*. Não a dor física. A dor emocional.

A verdade é que não há como lidar. O aborto espontâneo, como a própria palavra (muito feia por sinal) diz, acontece “sem querer”, geralmente porque a natureza detectou alguma má formação no embrião ou no feto. 

Não é culpa da mãe. Não é culpa de ninguém. É apenas um momento infeliz que muitas de nós têm que passar. Eu passei por essa experiência e por isso posso relatar um pouco do que é. Por maior que seja o seu poder de empatia, você só sabe o que realmente é quando passa por isso. 

Primeiro, eu acho que devíamos mudar a expressão “perdeu o bebê” para, sei lá, “a gravidez não progrediu” como dizem os médicos ou “a natureza achou melhor não”. Porque toda vez que diziam que eu tinha perdido o bebê parecia que eu devia ter feito algo para “achá-lo”. É uma expressão muito dolorosa, ao menos para mim. Como falei acima, é uma atitude quase impensada tentarmos consolar a pessoa que “perdeu o bebê” contando casos de conhecidas que passaram pela mesma coisa mas tiveram algum “final feliz”. Eu mesma sou desses casos. Mas na época algumas coisas chegam até a assustar. “Conheço uma pessoa que teve 4 abortos antes de engravidar, e hoje em dia tem 3 filhos”. Que bom para ela, mas eu não quero ter QUATRO abortos antes de engravidar, meu Deus!” Na realidade você não queria nem estar passando por esse! “A natureza sabe o que faz, é muito comum, às vezes não seria um bebê saudável”. Eu sabia de tudo isso, mas por que a MINHA natureza tinha que ter cometido algum erro? Dadas as proporções, é como você perder um ente querido e alguém tentar de consolar dizendo “Pessoas morrem todos os dias” e completar com inúmeros casos de pessoas que perderam entes queridos.

De repente, parece que TODO MUNDO ao seu redor decidiu engravidar. E está todo mundo bem, menos você. Há uma revolta inicial, e essa revolta deve ser respeitada e sentida. São sonhos frustrados. São expectativas reduzidas a nada. É estar completa, multiplicada e de repente parecer que só sobrou metade de você. Bate até uma “vergonha” de ter que contar para todo mundo que você “perdeu o bebê” e ter que encarar olhares piedosos. No meu caso, toda a situação veio seguida de uma turbulência: por motivos pessoais, minha médica quis investigar o aborto, e tudo isso esticou a dor. 

Há algum tempo eu entendi porque passei por tudo aquilo. Eu amadureci, era algo que eu precisava passar antes de ser mãe. Não estou dizendo que isso fez de mim uma “mãe melhor”, primeiro porque não acredito nisso e segundo porque estaria dizendo que as mães que engravidam acidentalmente não são boas mães e isso está longe de ser verdade. Mas PARA MIM todo o pré processo fez o pós processo ser mais leve. Não fácil, mas leve. Entendem? Fez a minha felicidade ser ainda maior e mais curtida quando aconteceu. Quando estava a beira do colapso do cansaço nos primeiros meses, lembrava como eu quis aquilo, como foi difícil. 

Novamente, era algo que EU precisava passar. Para os que têm pessoas queridas passando por essa situação: não dêem espaço, preencham o espaço. Mostrem o amor. Façam barulho. Chorem juntos. Escutem. Em hipótese alguma subestimem aquela dor. Para os estão passando por essa situação: passa, melhora e o tempo é nosso melhor amigo. E acreditem: nem em sonho vocês podem imaginar o que está reservado. Não se sintam MENOS mães. Ninguém é menos mãe se já vivenciou um mínimo desse sentimento. 

Por fim, um dia ouvi algo interessante, quase espírita, apesar de não saber se foi do espiritismo que surgiu essa teoria. Às vezes algumas almas antigas só precisam de mais um tempo de vida para completarem seu ciclo e então terem seu descanso eterno. Essas são as almas que vem e logo vão e suas mães são seres muito especiais que foram escolhidas apenas para essa breve passagem. 

*Quando digo a dor do aborto espontâneo não estou dizendo que não há dor em qualquer tipo de aborto que seja, mas que estou falando sobre esse caso específico.it

Somos caretas

Quem me conhece há tempos sabe que mudei muito nos últimos anos, mas que o errado, o do contra, o questionamento, sempre fizeram parte da minha essência. Costumo dizer que dentro de mim mora uma punk na sua mais crua definição, alguém que adora quebrar as coisas para ver como elas são por dentro.  

Hoje me deu um nó. Um nó na garganta por ver que problematizam tantas coisas, tantas coisas bobas como uma brincadeira entre mães nas redes sociais. Esse nó já vêm crescendo há tempos, por pensar 30 vezes antes de publicar uma coisa simplesmente porque muitas das pessoas que estão ali não me conhecem a fundo para saber que é a fanfarrona que está ali. Que não, eu não levo as redes sociais tão a sério. 

Daí senti uma nostalgia de algo que não sei se vivi. Do subversivo. Do errado. De ver fotos de gente bêbada nas redes sociais. De gente gorda. De gente feia. De uma receita de doce que deu errado. De um lugar feio. 

“Antônia, peraí. Você ficou irritada porque as pessoas estão querendo desmistificar a maternidade arco-íris e sentiu falta de ver coisas reais?”

É. Vou tentar explicar: mulherada sofre tanto com ou sem maternidade porque são perfeccionistas. Estou cansada dessa atmosfera (que envolve e não envolve mães) de empreendedores, de pessoas saudáveis, cultas, inteligentes, que comem orgânicos, que tem TOC, mania de organização e limpeza, que são ativistas de tudo, que fazem coaching, que querem testar a porra das receitas do Catraca Livre ao invés de ir comprar a merda da comida que está fazendo sucesso (“Aprenda a fazer paleta mexicana” “Faça sua própria Nutella” “Faça o café do Starbucks em casa”), que assistem Netflix porque não tem nada passando nos 19420393 canais de tv, que discutem a geração X, Y, Z, que são PT ou PSDB. Me cansa. 

Eu comecei a seguir Instagrams de organização, decoração e donas de casa, para ver se aflorava esse lado em mim. A verdade é que eu quero que se dane, que se dane se minha casa tem copos de requeijão e vive uma zona. Não estou nem aí se minha casa não é um primor de decoração, sempre preferi gastar meu dinheiro com outra coisa. Com vodka e sorvete, por exemplo. 

Uma vez, antes de casar, fui a um encontro de conhecidos do meu futuro marido, e todos diziam como suas esposas passavam camisas, sabiam cozinhar e tinham bundas empinadas. Eu olhei pro Felipe e disse: “Não espere nada de mim, eu sou uma entertainer. Posso sapatear, mas nunca vou passar camisa”. 

Eu tenho um amigo, que nos últimos anos virou mais amigo virtual que real, que conheci nos tempos de dança. Atualmente ele trabalha com teatro burlesco e outras artes relacionadas. Eu acho aquilo o máximo. Ele faz uma coisa que gosta e que aparentemente não tem uma causa. A causa é diversão. Ele não tem compromisso com o certinho, com o esteticamente aceitável, com o bonitinho.  Quando ele posta algo, a imagem nem sempre me é confortável, mas é sempre interessante. É diferente. Aí sabe o que fazem? Vivem denunciando o perfil dele no Facebook, simplesmente porque as pessoas não sabem lidar com o que sai da caretice.

Somos caretas. Somos caretas pra caralho. 

Tenho uma amiga que acha que parou de amamentar mas diz que ainda amamenta para não ter que ouvir o blá blá blá sobre os benefícios da amamentação. 

Tenho uma amiga que ouviu dos amigos que ela não namora porque não se valoriza. 

Tenho um amigo que está desempregado mas tem que fingir que está fazendo alguma coisa porque não perdoamos pessoas que não são grandes líderes.

Tenho uma amiga que não posta foto de corpo inteiro porque acha que está gorda.

Tenho uma amiga que o filho de quase 3 anos ainda usa chupeta mas faz ele tirar nas fotos para não ter que ouvir que essa idade não usa mais chupeta.

Tenho um amigo que não quer casar mas enrola a namorada porque um homem deve constituir família.

Somos caretas. Somos caretas pra caralho. Não estamos melhorando. Estamos apenas nadando em nossa própria caretice achando que estamos evoluindo.

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Carta para as visitas

Querida visita,

Estou muito feliz que você queira conhecer o meu bebê, entregar um presentinho e me ver mãe. É realmente a transformação mais incrível que você pode presenciar. Mas veja, nem tudo tem sido tão fácil para mim.

Realmente, ter um bebê é algo especial. Parir, seja de uma forma ou de outra, exige um período de recuperação e, na realidade, tenho pouco tempo para me recuperar. Esse novo universo me consome por inteiro .

Basicamente meu sono é picado e meus dias e noites se misturam em um ciclo sem fim de mamadas, trocas de fraldas, banhos, cólicas, preocupações e aprendizados e mesmo que eu já tenha passado por isso antes, devo lembrá-lo que esse é um novo bebê e portanto uma nova situação.

Ainda assim, pode me fazer bem ver alguém diferente, já que não temos saído muito. Nesse caso peço que lembre-se de todo o processo que estou passando. Posso não estar na minha melhor forma, e minhas olheiras enormes fazem parte dessa nova vida. Por favor tente não me lembrar disso. Minha casa pode estar um pouco bagunçada e não estranhe se água for a única coisa que eu te oferecer. Também não me julgue se eu te deixar mais de uma vez para amamentar. Esse processo exige certa atenção principalmente no começo. E por favor, não julgue se meu bebê é bonzinho ou não. Às vezes ele pode estar num mau dia. Lembre-se: estamos nos conhecendo.

Falando em “maus dias”, por favor entenda caso eu desmarque a sua visita mais de uma vez, ou até mesmo que demore para marcá-la. Eu sei, querida visita, que você trabalha e às vezes quer vir depois do trabalho. Infelizmente esse não é um bom horário para nós. A noite, tanto eu quanto meu bebê já estamos bem cansados e acredite: 8 horas da noite já é bem tarde para nós. Ainda sobre horários, sei que tem seus compromissos e o trânsito nem sempre colabora, mas tente não se atrasar. Acontece que, enquanto te esperava, poderia estar dormindo.

Não estamos mais na maternidade, mas é como se estivéssemos. É preciso respeitar horários e certos princípios que certamente sua educação oferece.

No mais, cara visita, sua presença é bem-vinda, se não agora, em outro momento. Preciso de um abraço, de ouvir as notícias do mundo lá fora, de escutar novamente que meu bebê é lindo.

Espero que entenda que não “fiquei chata” depois que virei mãe. Em breve estarei de volta e quando vier aqui poderemos conversar até de madrugada ou até quando o vinho acabar.

Um abraço,

Sua amiga que acabou de ser mãe

Sobre o primeiro mês com o bebê

Em primeiro lugar preciso pedir desculpas pelo meu sumiço! No dia 7 de novembro meu caçula Bruno veio ao mundo e tendo um filho de 2 anos e meio para cuidar, podem imaginar como as coisas ficaram atribuladas por aqui, mesmo com toda ajuda. Mas, vamos tentar voltar aos poucos?

Como já disse, primeiro mês com bebê novo em casa pode ser atribulado.Uma nova pessoa na casa, a mãe em recuperação independente do tipo do parto, noites em claro, hormônios em ebulição. Você provavelmente já sabe sobre a privação do sono, os horários malucos, o banho corrido, as roupas sujas de leite e o cabelo preso de qualquer jeito. Caso seja o seu primeiro filho, posso adiantar algumas coisas que você provavelmente vai passar ou podem acontecer nesse primeiro mês:

1. Você vai sentir sono. Muito sono.

Não é exagero. A vida a cada 3 horas (com sorte!) realmente é cansativa. Na primeira semana ainda há alguma disposição, na segunda ela começar a sumir e daí por diante não há creme que dê jeito nas suas olheiras. A notícia boa é: passa. Não sei afirmar em quando tempo, mas passa!

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2. Amamentar dá trabalho

Todo mundo diz que amamentar não é fácil e não é mesmo. Eu tive a sorte de não ter problemas com meus dois filhos, ainda assim há a dor inicial, a dificuldade do bebê que não sabe bem o que fazer e consequentemente a sua dúvida sobre estar fazendo certo. Além do pediatra, há inúmeros grupos nas redes sociais que ajudam durante essa fase difícil (Mamare, GVA, Amigas do Peito são alguns deles). Alguns planos de saúde e maternidades também oferecem auxílio como parte de seu pacote de serviços. Conte com toda ajuda que puder, se precisar!

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3. Nóia com peso

O seu e do bebê! Você vai ter vontade de pesar seu bebê todos os dias para confirmar que está mamando bem e ganhando peso. Cada ida ao pediatra é uma ansiedade sem fim, como uma preparação para o ENEM ou um teste importante que você TEM que ir bem. E se você vai bem, a nóia só dá folga por alguns dias e depois volta com força total até a próxima consulta.  Ao mesmo tempo talvez você não volte a forma tão rápido quanto imaginou (natural, afinal você está no primeiro de recuperação) e também comece a se preocupar com seu peso.

4. O pai perdido

Claro que há exceções, mas é possível que o pai da criança fique um tanto quanto confuso procurando seu lugar ao sol em meio a essa nova configuração de família. Pode ser que ele se torne invisível, nervoso ou tão colaborativo a ponto de irritar. Algumas brigas podem surgir, afinal os dois estão cansados e quase sempre sem saber o que fazer. Isso também PASSA.

5. Choro sem motivo

Novamente: o SEU e do bebê. Se você já leu um pouco sobre o período pós-parto, sabe que existe o chamado “baby blues” em que a mãe pode ter momentos melancólicos, com choro sem motivo e emoções à flor da pele. É normal, acontece também por conta da brusca queda hormonal após a gravidez e deve passar. Claro, é bom sempre informar o médico sobre as mudanças que estão ocorrendo. Sobre o choro do bebê, é normal ficar nervosa. De repente tem um ser humano ali que CHORA. Sua única forma de comunicação é essa e obviamente você pode se desesperar em alguns momentos quando isso acontece.

6. O pediatra, seu melhor amigo

Quando meu primeiro filho nasceu eu ainda não conhecia a pediatra que havia marcado a consulta (apesar de bem indicada), ou seja, menos de sete dias depois do parto eu lembro de ligar pedindo para adiantar a consulta porque meu filho havia regurgitado pelo nariz 2 vezes naquele dia. Ela me ligou e me tranquilizou, mas eu sei (e ela também) quantos whatsapps e ligações foram naquele primeiro mês!

7. Cólicas, cocô e arroto

Sua vida passa a ser uma série de comemorações em torno de eventos escatológicos. “Fez cocô!!! Graças a Deus saiu o cocô!!!” ou “Viva, arrotou! Posso colocar no berço e voltar a dormir!”

8. Todas as nóias do mundo

“Está respirando?” “Será que deito de lado ou de costas?” “Cadê o álcool gel?” “Será que está com frio ou é calor?” “MEU DEUS DO CÉU O QUE  É MORTE SÚBITA?” “Será que é cólica?” “Devo colocar ele no sol?”.

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9. Solidão

Mesmo com todas as visitas do mundo ou com toda a ajuda possível, é normal sentir uma espécie de solidão. As madrugadas são longas e boa parte do tempo você passa com um ser que não interage. Acima de tudo, a solidão faz parte de um processo que você tem que passar, vejam só, sozinha! É uma nova pessoa que está surgindo, a pessoa “mãe”, e por isso você experimenta sentimentos bons e ruins que nem sempre sabe externar. Acredite: todas passam por isso e eu acho que é aí que nasce o instinto materno, na solidão.